A eleição municipal


Para dizer como um técnico de futebol, “a eleição é sempre uma caixinha de surpresas”. Pois é, chegou o dia: no próximo domingo, cumpriremos o nosso dever de cidadão e depositaremos na urna o voto para prefeito e para vereador. Claro que há muita gente descrente, pensando em votar em branco ou achar uma fórmula de anular seu voto. Pena, pois é dos poucos momentos em que cada um tem chance de expressar o que quer e, se não achou ninguém que julgue “cem por cento”, ao menos vote no que considera “o menos pior”.

O voto municipal nos afeta diretamente. Temos o prefeito e os vereadores próximos e deveriam sofrer a influência direta da comunidade. Mas este é um costume que precisamos adquirir: exercer o nosso direito de pressão sobre as autoridades constituídas para que não se faça a reclamação de sempre - “depois de eleitos eles nem aparecem mais”. Se eles não aparecem, chega a hora de nós aparecermos para dizer o que significa a representatividade parlamentar (os vereadores são nossos representantes diretos – mesmo que não tenha sido aquele em quem votamos) e o prefeito é escolhido para administrar em nosso lugar os recursos públicos necessários para a educação, a saúde, o transporte, a manutenção dos serviços públicos, etc.

Concordo com o papa João Paulo II quando disse que a democracia não consegue ser um sistema social perfeito e justo, mas - dos que temos - é o que organiza da melhor forma as relações. O problema, quase sempre, não está no sistema proposto, mas nas pessoas que deveriam fazer a sua prática. Infelizmente, acontece que, entre a teoria e a prática, as distâncias são longas e penosas. Já testemunhei muito “democrata” dizer que depois de tomar o poder, o resto que se “exploda”. Ora, ora, que pena. Um pouco de humildade, em alguns casos, não faria mal! Uma eleição não é uma indicação para o Oscar, nem significa que se tirou a sorte grande (embora não custasse ao ministério público ser mais ágil em determinadas situações).

Prefeito e vereador são funcionários públicos, investidos de poder por um determinado tempo e tendo que responder a quem o elegeu. Não pense que estes funcionários saem baratos! Ao contrário, muito caros! Então, é preciso que rendam bem para os mantermos nos cargos por quatro anos. Não jogue fora seu voto agora, mas também não dê uma carta em branco para o eleito, afinal o resultado do que ele vai fazer - como executivo e legislativo – sempre terá um pouco da sua participação.