A presidente de todos nós


Presidente ou presidenta? Entendidos dizem que poderá se utilizar as duas formas. Mas, o mais bonito de tudo o que muitos classificam como “festa da democracia”; é o fato de que a própria Dilma poderá escolher e nós, por uma gentileza linguistíca, também seremos gentis utilizando a forma mais adequada para designar a primeira servidora pública do país.

Passadas as eleições, Dilma Rousseff é a primeira mulher a assumir a presidência do Brasil. No entanto, é bom que não se fique na questão de gênero – homem ou mulher – mas do que mais importa: é a cidadã encarregada – como frisou – de zelar pela Constituição. E a constituição é a lei maior, pela qual - iniciando pela presidente e chegando a todos nós - deveríamos ter como preocupação de aperfeiçoar e zelar pelo seu cumprimento.

Dilma chega à presidência numa sequência de três mandatos de um mesmo partido. Então, sua responsabilidade é ainda maior, porque se atirar pedra sobre o governo anterior, vai ser sobre a própria casa. Seu desafio é avançar nas conquistas que o Brasil já obteve e guindar uma parcela da população desfavorecida econômica e socialmente.

Meu receio é de que se bata tanto nesta história de “primeira mulher”, que se esqueça que foram os homens os responsáveis pelos desmandos que aí estão. Falar em “sensibilidade social” do sexo feminino para tratar das questões é dizer que falhamos, pois, se olharmos todos os poderes, veremos que o gênero masculino é predominante e responsável maior por falcatruas, desmandos e escândalos com recursos públicos.

Hoje, enquanto os vitoriosos comemoram, sobra a expectativa: pode haver mudanças significativas num momento em que a economia internacional ainda está sestrosa? Sempre que um governante assume, há certa tolerância, dando um tempo para que mostre a que, efetivamente, veio. O importante é que, acabada a disputa eleitoral, nos demos conta de que, eleita, a presidente não é mais do PT ou dos partidos que a apoiaram, mas a primeira servidora de todos nós pelos próximos quatro anos.