A Amazônia no quintal


Não se pode dizer que não fomos prevenidos: há décadas os ambientalistas dizem que é preciso prevenir – no caso atual, remediar – porque a devastação dos recursos naturais chegou a um patamar que assusta. Assusta ainda mais por sabermos que, na maior parte dos casos, o consumo, o desperdício, ou a poluição tiveram um único fim: oferecer luxo, conforto àqueles que, agora, mesmo não podendo mais classificar os defensores do meio-ambiente de “eco-chatos”, não abrem mão de suas “conquistas”, e não se importam com as conseqüências, certos de que os penalizados ainda estão por nascer, quando eles não mais estarão aqui.

A Igreja Católica volta a falar neste tema na Campanha da Fraternidade. Aponta para o pulmão do Mundo, pede que se reflita e mais: sejam tomadas medidas efetivas para que se preservem os espaços da natureza que ainda restam na Amazônia. “Fraternidade e Amazônia”, como tema; “Vida e missão, neste chão”, como lema.

Do outro lado do Brasil, o que se pode fazer? Manter-nos informados a respeito e não deixar que esfrie o debate em torno de um tema que é importante para o Mundo. Mas não basta. Os grandes temas ecológicos não podem deixar que esqueçamos da sua abordagem local, quase sempre, no nosso quintal. Se lá estes recursos são destruídos de forma assustadora e estampam imagens estarrecedoras, o que acontece aqui normalmente é feito de forma silenciosa, mas não menos criminosa.

E não adianta culpar apenas o poder público. Eles também são culpados, mas há uma parcela substancial da responsabilidade que cabe a cada um de nós, cidadãos, começando pelo tratamento e armazenamento do lixo; passando pelo desperdício da água e chegando à conservação dos espaços públicos – ruas, praças, praias, por exemplo.

Dói muito ver que as pessoas julgam que não precisam se preocupar com o precioso líquido que sai das torneiras, mas apenas reclamar quando ele falta; não é necessário colocar o lixo em lugar seguro, pois se pode culpar os lixeiros se ele for espalhado; e não se preocupam em procurar uma lixeira quando andam pela cidade, porque alguém vai varrer e recolher o que foi atirado ao chão.

Estamos precisando acelerar o passo. Se já é possível notar ações para mudar estes costumes, elas ainda são muito lentas. A natureza é um valor insubstituível, com a qual é melhor conviver pacificamente. O planeta já sentiu na pele o que pode acontecer quando ela se desequilibra.