A bomba e a história


Muitas matérias foram feitas para marcar a data em que, 60 anos atrás, a primeira bomba atômica foi jogada sobre Hiroshima, no Japão, e precipitou o final da II Guerra Mundial. Comovente, em todos os sentidos, ver que ainda temos sobreviventes que testemunham uma história viva.

Uma cidade inteira, praticamente, foi varrida do mapa. Hoje está reconstruída, mas faz questão de guardar marcos daquele tempo, indicando o que gostaria que não voltasse a acontecer.

Ali era uma área que, embora abrigasse um segmento da construção naval japonesa, praticamente não tinha soldados. As vítimas – mortas ou com seqüelas – acabaram sendo mulheres, crianças e idosos.

Mas o que faltou aos textos? Na maior parte das vezes, que as reportagens falassem a respeito de quem decidiu lançar a bomba sobre uma cidade praticamente indefesa e porque cometeu este crime contra a humanidade.

Analistas da História chegaram a dizer que o momento era uma encruzilhada da II Guerra Mundial e que serviu para antecipar o final de seis anos de conflito internacional. Mas a que preço?

Com uma distância de mais de meio século dos fatos, historiadores buscam isenção para analisar o que aconteceu. E não há como negar que um “Hitler”, na Alemanha, poderia ter sido evitado. Não o foi porque muita gente “boa”, na época, tinha idéias muito próximas e até demonstrava simpatias com o seu ideário. Assustaram-se quando o defensor do “Reich de 1000 anos” começou a colocar as unhas de fora.

Juntaram-se, então, os senhores da política, da guerra e da economia e deram um banho de sangue na Europa. Mas o cancro já não estava somente ali. Muitos ditadores de todos os cantos do mundo estavam pensando em se unir. E o sinal para que parassem foi a bomba.

Restou uma Europa destruída; um Japão tentando juntar seus cacos; uma Itália empobrecida, com seus filhos em busca de oportunidade em diversos cantos do mundo.

As guerras demonstraram ser um atraso para a humanidade. Se houve a reconstrução dos países do primeiro mundo, para o segundo, terceiro e quarto, sobraram poucas migalhas. E hoje se vê que as “hordas” voltaram a migrar para as novas “Romas”.

A história se repete. Hoje temos bombas suficientes para destruir 30 vezes o planeta Terra. O sinal de Hiroshima não será suficiente para nos dar um pouco de sanidade mental?