A fé e o "Código Da Vinci"


Seguidamente, perguntam-me: o que são as “teorias” de Dan Brown? É verdade, quando diz – em “O Código Da Vinci” – que Jesus Cristo teve mulher e filhos e que a Igreja Católica escondeu detalhes de sua vida, assim como uma ordem secreta protege seus descendentes? Ou que – em “Anjos ou Demônios” – um filho de papa possa ter querido ressuscitar uma seita para tornar a Igreja novamente popular?

O autor dos dois livros – dos mais lidos, ao redor do mundo – foi enfático, ao dizer que sua obra é ficção. Levando em consideração esta afirmação, considero correta a opção da Opus Dei (estigmatizada no primeiro livro), de se manter em absoluto silêncio, negando-se a comentar a obra. E equivocada a posição do Vaticano em proibir aos católicos a sua leitura.

A própria Igreja já tem experiência suficiente para saber que, em épocas de acesso muito mais difícil à literatura, as pessoas moviam “mundos e fundos” para lerem, especialmente, aquilo que era proibido. Se não lembrar, basta que olhe para a história recente do Brasil, quando a ditadura militar impediu a entrada de uma série de filmes e que bastava passar a fronteira para assisti-los.

Li os dois. São livros razoáveis, se considerados no gênero “threiller” policial/suspense. O filme, baseado no livro “O Código Da Vinci”, já é diferente, porque se alguém somente assisti-lo, sem ter a leitura do livro, vai entender pouco ou nada, ou fazer uma leitura distorcida.

E esta é uma preocupação. Para alguém que tem a fé sedimentada, ler os livros ou assistir ao filme não vai fazer absolutamente nada. Em muitos momentos, vai rir e achar que são bobagens. No entanto, para jovens e incautos, sempre sobra mais uma dúvida, acrescentada às muitas que já têm.

Em toda a minha vida, creio que conheci um homem (ou seriam dois?) com uma fé absolutamente amadurecida. Para os demais, sobra sempre alguma dúvida, porque este é o último sentimento humano que deixamos ao chegamos aos braços de Deus.

Isto acontece, em especial, com os desconhecedores de sua fé, ou os que fazem um “buffet” religioso, misturando tudo. Não é um livro que sedimenta este estado de espírito. Mas pode ajudar.

Na verdade, fé é exatamente isto: fé! Não são comprovações científicas que a consolidam. Elas precisam estar dentro de quem acredita. E a verdade é aquilo em que se acredita. Não vai ser um livro - um autor ou uma teoria - que vai balançar aquilo que julgo mais importante nos tempos modernos: preservar uma identidade. E uma fé.