A insegurança nas ruas


Num recente comentário de rádio falei a respeito da necessidade de que cesse o clima de insegurança existente nas médias e grandes cidades onde assaltos seguidos de morte estão se tornando comuns, através de uma presença mais efetiva de elementos da segurança pública nas ruas.

Em seguida, um ouvinte ligou dizendo que antes de mandar a polícia para a rua é necessário que se tenham políticas públicas que previnam a marginalidade, já que, em muitos casos, quem está assaltando e matando foi excluído da sociedade.

Não duvido, nem discordo. Bem pelo contrário, tanto neste espaço quanto no rádio, tenho falado a respeito. Mas é preciso que se tome alguma atitude e uma delas é termos restabelecida a segurança nas ruas, para evitar que se banalize a vida.

As políticas públicas têm que ser tomadas por instâncias do governo federal, estadual e municipal que, na maior parte das vezes, são omissos.

Um caso emblemático é o do Instituto de Menores. O governo federal destina para a manutenção de cada um dos atendidos uma média de R$ 10,00 (dez reais) por mês. É isto mesmo, não estou brincando, não chega à média de R$ 0,50 (cinqüenta centavos), por dia!

Em compensação, gasta mais de R$ 3.000,00 (três mil reais) por mês para manter um menor em sistema de internamento. Existe um mistério neste sorvedouro de recursos, uma máquina que não funciona, mas que gasta uma quantidade significativa de nossos recursos! Sem resultados.

Não há nenhuma dúvida de que a prevenção é o melhor remédio. Os espaços de confinamento têm se mostrado autênticas escolas do crime. Por não terem estruturas adequadas para um processo de ressocialização acabam somente disseminando novas técnicas do mal.

Minha crença ainda é a de que instituições como o Instituto de Menores têm um papel fundamental em qualificar e mostrar um novo caminho para crianças e adolescentes sem perspectiva. No entanto, na ausência de recursos, o mais provável é que fechem suas portas. E se isto acontecer, as ruas estarão em situação pior.

A conjuntura que vivemos parece indicar que há gente apostando no “quanto pior, melhor”. Será? O que nós, cidadãos, esperamos é que impere o bom senso. E ele diz que precisamos de atitudes que resgatem a cidadania dos jovens em situação de risco.

Mas que, em momento algum, se descuide da segurança da população.