Alimentando a chama da fé


A Igreja Católica do Rio Grande do Sul estará reunida esta semana em Pelotas – 26 a 28 de junho, discutindo a “Comunicação, ontem, hoje e amanhã”. O evento é realizado a cada dois anos pelo regional sul três da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com o objetivo de reunir profissionais numa troca de experiências e propiciando um tipo de “alimentação”, através de palestras que auxiliem na reflexão e na visão de novas perspectivas.

No Mundo atual, a Igreja se coloca, diariamente, diante de muitos desafios, nesta área em especial. A intenção é olhar criticamente a postura que tem e não somente reclamar do que outros fazem. Busca uma cultura da Comunicação que a prepare para utilizar bem os meios que não são outra coisa senão “meios”, não são fins. O Seminário incentiva as dioceses a aprimorarem seus quadros e investir na profissionalização.

Mas já se sabe que isto não é o suficiente. Formar apenas “técnicos” para quem quer proclamar o Mistério, como fala o documento emitido pelos bispos em Aparecida, é insuficiente. Embora consciente de que o protagonismo deste processo é do leigo, é preciso uma espiritualidade da Comunicação, que coloque como referencial o maior de todos os comunicadores, que foi, é e será: Jesus Cristo.

O evento passou por diversas dioceses – recentemente esteve em Caxias (Universidade de Caxias do Sul) e São Leopoldo (Unisinos) – e a idéia dos organizadores é descentralizar, levar para regiões mais distantes do centro do Estado ou da referência que é a capital. Serve, então, como motivador para que nesta área seja incentivada a discussão a respeito da importância que tem a comunicação no “fazer” Igreja (esta edição será na Universidade Católica de Pelotas).

Hoje, já se fala – e existe bibliografia a respeito – de uma Teologia da Comunicação, significando que não é apenas um jeito de fazer, mas um processo que precisa estar presente em todas as atividades da Igreja – desde a acolhida, passando pela Liturgia, Catequese etc. Desta forma, não se pode restringi-la a uma “pastoral”, mas pensá-la de forma mais ampla, como ferramenta e também como postura dentro da própria Igreja e presença no Mundo.

Superar esta dicotomia – de públicos internos e externos – é um problema sério, que, até hoje, embora haja bons e profundos documentos a respeito, não foi solucionado. Talvez porque seja necessário pensar que não bastam todas as revoluções tecnológicas se não for capaz de alimentar a chama da fé em cada coração.