A nacionalidade de Deus


Uma publicação internacional reconheceu que “Deus deve ser brasileiro” mesmo, pois além de todas as riquezas em nosso solo, todas as belezas naturais, ainda, agora, foi revelado que pode existir na costa do Oceano Atlântico uma das maiores jazidas de petróleo do Mundo. Nunca tive dúvidas de que o Brasil é um país rico e que pode ficar mais rico ainda.

Pena é que esta riqueza não se reflete sobre a população brasileira, especialmente os que mais precisam: a população carente. Vamos combinar: o que os governos federais vêm fazendo – mais recentemente Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva – não passa de esmolas, sobras assistenciais que não recuperam a dignidade, a cidadania e sequer oferecem perspectivas de futuro. Mas rendem votos.

Uma Organização Não-Governamental (ONG) diz que para cada real que é recolhido aos cofres públicos tem um real que é sonegado, isto é, alguém deixa de pagar legalmente. Mais: para cada três reais que entram nos cofres públicos, um é investido em serviços para a população e dois são consumidos pela própria máquina pública. Acho até louvável que uma parcela dos servidores públicos reclame que nem todos podem ser tratados da mesma forma. No entanto, vejo pouco “serviço público” e muito “servir-se do público” entre o funcionalismo. No caso de greves recentes nesta área, seu funcionamento fez falta muito mais para o governo, a fim de não interromper a arrecadação, do que de serviços à população. Porque, por exemplo, parar o atendimento de saúde é tornar um pouquinho pior o que já está péssimo. A constatação é simples: há uma máquina que não funciona, ao menos não como poderia e deveria funcionar.

A “reza” atual é parecida com a que foi realizada durante o governo militar, sintetizada pelo ex-ministro Delfin Neto: “é preciso fazer o bolo crescer, para depois repartir”. O brasileiro continua esperando para ter acesso a este bolo e enquanto isto há mais de três milhões de pessoas na faixa da miserabilidade, crianças mirradas pela fome, jovens sem estudar por não encontrarem sentido e adultos amargando a falta de um horizonte.

Desculpem, posso estar sendo pessimista. Mas me parece que se existe tal riqueza, os políticos vão dar um jeito de satisfazer seus próprios interesses, que, há muito tempo, não comungam com os interesses da população. É, realmente, parece que Deus é brasileiro. Tomara é que Ele não se envergonhe de tal nacionalidade.