A Páscoa de Judas e de Pedro


A Páscoa de Jesus não é o momento apenas de recordar a passagem de uma figura histórica. Para os cristãos é mais, pois apresenta uma nova proposta, mesmo que, para alguns, na época, tenha sido decepcionante. Pensar que, num primeiro momento, os apóstolos seguiram a Jesus pela mansidão e mensagens de boa fé é um engano. Os Evangelhos registram situações onde a preocupação deles era saber quando as “forças celestes” os ajudariam a instalar um novo reino, desbancando, especialmente, seu maior desafeto: Roma.

A professora Firmina, da Psicologia, teria muito material para análise se olhasse com carinho para duas figuras, em especial, que acompanharam Jesus: Judas e Pedro. Os dois fizeram uma caminhada diferente, em especial, a partir do momento em que tiveram confirmado que não haveria um reino na terra e, para alcançar o reino do Pai, era preciso que Jesus passasse pela cruz e pela ressurreição.

Judas não aceitou e o traiu apesar de ser chamado por uma expressão carregada de carinho: “Amigo!” Pedro o negou até o último momento, mas, quando tudo parecia sucumbir, procurou o olhar de Jesus. Talvez tenha sido exatamente isto o que faltou a Judas. Pedro saiu do lugar de julgamento do Mestre em desespero, mas, enquanto Judas tirou a própria vida, Pedro teve a coragem de voltar e assumir a missão para a qual Jesus já o havia convidado.

Jovens toscos vindos de áreas pobres da Judéia, os discípulos tiveram que amadurecer rapidamente. Pedro teve um belo ato de fé: “E vós, quem dizeis que Eu sou? – Tu és o Cristo, o Filho de Deus!” (igual profissão de fé somente encontramos na voz de uma mulher, Marta, irmã de Lázaro: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus”). Depois foi censurado por Jesus, pois não queria que falasse abertamente a respeito de Sua morte.

A caminhada foi longa. Cada um deles almejava realizar sonhos que eram bem reais e que diziam respeito a coisas concretas: melhoria econômica, projeção social, poder político. Nada disto estava nas promessas do Mestre e Ele foi inculcando em jovens obstinados outros sonhos que nunca pensaram em sonhar. E este é o motivo da nossa reflexão nesta Semana Santa: entre a última ceia e a ressurreição, o olhar de Jesus é a diferença entre deixar que a dor nos domine ou assumir que a ressurreição, neste caso, projeta para nós um horizonte de esperanças e de fé.