A pauta da crise brasileira


Os analistas de discurso estão fazendo festa. Estes últimos meses têm sido ricos em “caras e bocas” de nossos políticos, especialmente quando há transmissão ao vivo de uma dos canais de televisão do Congresso Nacional.

Os senhores deputados – e seus coadjuvantes – fazem questão de aparecer na televisão, nem que seja apenas para abanar para o papai e para a mamãe, com direito, inclusive, a recadinhos.

Olhando para as faces dos dignos representantes do povo vemos que, em muitos momentos, se mostram adequadamente indignados com os depoimentos feitos e que precisam justificar, com algum tipo de depoimento ou questionamento, porque estão ali. Precisam dar satisfação para suas bases eleitorais. Recordei de uma célebre frase: “quando não tiveres nada de bom para falar, é melhor silenciar”.

Vamos reconhecer que manter a atenção para uma sessão de mais de 12 horas de duração é coisa que raros espetáculos conseguem. E teve gente que assistiu, para desespero das redes convencionais, sessões que iniciaram às 11 horas e acabaram a uma da madrugada. Para o meu gosto, puro masoquismo.

O que fica evidente é que, se não fosse para que os políticos – se possível todos – aparecerem, estas sessões deveriam durar, no máximo, três horas, tempo mais que suficiente – e tolerável – para que se debata qualquer assunto.

Mas vimos um autêntico desfile de personagens, devidamente preparados por seus assistentes da área da comunicação, do direito, da música, artes cênicas etc.

Da participação do deputado Roberto Jéferson – voz empostada e pose de galã da novela das oito; a Sebastião Buani – unindo o Céu e o Inferno, com suas preces e a presença estonteante da esposa; passando por Severino Cavalcanti – descaradamente dizendo que vai fazer uma coisa, quando já sabe que terá que fazer outra; há elementos do drama, da ação e, como não poderia faltar, da comédia.

A mistura vai de elementos religiosos a elementos eróticos. E, muitas vezes, exóticos.

Está certo que somos um país acostumado aos grandes espetáculos: temos o carnaval, o futebol, as novelas, onde misturamos todos estes elementos. Mas, tenham paciência, precisava acontecer a mesma coisa também na política?