A pobreza do bairrismo


O isolamento é um mal, tanto individual, quanto coletivo. Mas, até pouco tempo atrás, era comum serem incentivadas disputas entre municípios vizinhos em coisas elementares como o futebol e concursos, como os de beleza, por exemplo. Infelizmente, hoje, restaram resquícios que mais atrapalham do que ajudam.

Olhando para o mapa do Rio Grande do Sul, vislumbram-se as ricas possibilidades que existem de desenvolvimento regional feito em parcerias. Um destes casos se dá na área de influência de Pelotas e Rio Grande, como lideranças da região sul.

Três estradas federais cortam Pelotas, sendo que uma em direção a Rio Grande. Este traçado estratégico mostra que o desenvolvimento dos dois municípios, obrigatoriamente, terá que ser feito de forma integrada. Para eles, mais importante do que qualquer outra via é a duplicação da BR que os liga, pois funil natural para a produção que chega do oeste, do centro e mesmo a que passa pela capital do Estado.

O desenvolvimento não vai se dar por benemerência de autoridades com grandes ou pequenos planos muitas vezes anunciados em épocas de eleições e depois esquecidos. Ao natural, cada município seguirá sua vocação: se Pelotas é um pólo de comércio e serviços, Rio Grande, por sua vez, se volta para a atividade marítima, em especial nas áreas da importação e exportação, além de aprimorar seu parque industrial.

Mas, embora possa parecer uma bobagem, é preciso vencer os ranços do preconceito nas relações entre as duas populações. Mais alto do que qualquer bairrismo deve estar o fato de que o desenvolvimento vai propiciar emprego para os jovens, não precisando mais abandonar sua terra, depois de formados. O mesmo acontece com outras regiões. Embora em tempos de globalização e acreditemos que o cidadão é do mundo, nosso instinto de preservação diz que não gostaríamos de ver nossos garotos e garotas sendo arrancados do lar tão cedo.

A hora é de trabalho conjunto para a busca de investimentos regionais. Trabalhar sozinho é gol contra. Os municípios que se isolarem acabarão pagando o preço por um desenvolvimento menor e aqueles que valorizarem e trabalharem pelo conjunto poderão superar a pobreza do bairrismo e olhar para suas fronteiras não como divisas, mas como interessantes e ricas perspectivas. Do outro lado, em hipótese alguma, pode estar um contendor, que mereça deboche, mas um aliado, trabalhando já não mais por seu “mundinho”, mas por toda uma região.