Aprender brincando


A cada semestre que iniciamos na Escola de Comunicação, gostaria de brincar com professores, funcionários e alunos, perguntando se não estamos com a proposta pedagógica errada. Ao olhar para as “carinhas” que se apresentam, e saber que, em média, estão entre 16 e 18 anos, quase chego a propor que façamos um primeiro semestre lúdico.

Explico-me: porque não investir em espaços de conhecimento com recursos lúdicos de informática, foto, tv, rádio, cinema, mais esportes. Inclusive o skate e futebol. Porque não?

Propus, aos novos que ingressam no primeiro semestre de 2004, que tivessem a presença dos pais, ou daqueles que por eles se responsabilizam. Parece uma forma de tolher a liberdade da garotada? Com certeza, não. A responsabilidade, a cabeça feita, é um processo, não um momento. Não é porque o aluno passou num vestibular e agora ingressa na faculdade que deve ser menos acompanhado pelos pais. Pelo contrário, ele está numa fase delicada, de definição em diversas áreas e, em especial, na profissional. Quando mais precisa de acompanhamento, é solto aos lobos.

A literatura que utiliza o lúdico para enriquecer a educação já é bem significativa. Mostrando o quanto evoluíram as técnicas que propõe que uma sala de aula trabalhe com instrumentos que vêm da criatividade. E não apenas do manuseio de instrumental técnico.

Infelizmente, a literatura que deveria orientar pais e responsáveis por esta fase do aprendizado ainda é restrita aos bancos escolares. Lembro de uma palestra em que a pergunta era feita a professores universitários: “qual a última obra pedagógica que leram?” Infelizmente, disseram que lêem muito das suas áreas específicas, mas pouco da área da construção geral do conhecimento.

Como nas fases anteriores de estudo, um dado fundamental para que o aluno tenha um bom desenvolvimento é que haja um efetivo – e afetivo - acompanhamento. É insuficiente perguntar como está indo no curso. É preciso ir além, compartilhando angústias e vitórias nos trabalhos apresentados, nas disciplinas em que não se deu bem, nos prêmios almejados ou conquistados. Lembrando o chavão: não basta ser pai - com certeza - é preciso participar.