Enquanto os turistas estão aqui


Como todo o bom pelotense (de dupla “cidadania”, é verdade, pois nascido canguçuense – sem a brincadeira de que quem, como eu, nasceu no interior, é canguçuíno), resolvi visitar, com a família, a nossa Fenadoce. A sensação é de encantamento. Além da beleza plástica que envolve os diversos espaços de exposição, há vida fervilhando, seja entre os que trabalham, ou aqueles que mostram, nos olhos, a satisfação de testemunhar um empreendimento vencedor.

Das diversas pessoas com quem falei, o professor Alceu Salamoni chamou a atenção para um detalhe: entre tudo o que é mostrado, é visível o crescimento da participação de Pelotas e da região sul, em detrimento às edições anteriores, quando baixavam muitos expositores profissionais de outros estados.

Claro que os números não estão fechados, ainda, mas pode se perceber que muita gente veio a Pelotas conhecer o que o município e a região têm. Com o que viram, retornam às suas origens encantados e nos deixam satisfeitos. O reconhecimento de que temos uma Fenadoce capaz de gerar tantos empregos temporários, tantos negócios, também auxiliam na recuperação de nossa auto-estima.

O meio educacional, a pesquisa, boa parte do comércio e da indústria já perceberam isso. Os que não percebem são aqueles que dificilmente moveriam uma palha como investimento numa idéia original, capaz de alavancar negócios e desenvolvimento para a região.

Por outro lado, fica cada vez mais claro que, se do lado de Pelotas, setor público e privado já se movimentam, a continuação depende de recursos e investimentos de outros níveis, como do Estado e da União.

Este já é outro caminho a ser construído. Estamos longe de ter o espírito corporativista (no bom sentido), que outras regiões do Estado têm, onde, para buscar recursos, cessam as diferenças, já que um valor mais alto se levanta.

Mas a construção do caminho é assim:

- Bem-vindos aos visitantes. Esta terra os recebe de braços abertos.

- Pelotenses de todas as querências sintam-se orgulhosos do evento que agora se realiza, pois é capaz de mostrar a nossa capacidade de produção.

- Senhores empreendedores, muita criatividade ainda será exigida, pois a Princesa recém começou a se despir de suas vestes maltrapilhas. Há muito que fazer até que se coloque o manto e a última coroa sobre a sua fronte, para que recuperemos o orgulho de ser um farol comercial, cultural e de turismo para o resto do mundo.