Discutindo Ética nas Profissões


Tive a tentação de iniciar este artigo dizendo: “a sociedade está, cada vez mais, discutindo temas de grande relevância, como é o caso da ética”. Se assim o fizesse, seria crucificado por meus alunos em Jornalismo, pois não perdôo, normalmente, quando eles utilizam as famosas expressões generalísticas que, na verdade, nada dizem.

Pois bem, cada vez mais, grupos organizados discutem temáticas que precisam ser pautas constantes daqueles que são capazes de multiplicar informação, assim como influenciar nos destinos da sociedade. É o caso do Rotary Princesa do Sul, que realiza seu 2º Seminário de Ética nas Profissões, este ano voltado para o mundo da política, atividade empresarial e o terceiro setor, nos dias 26, 27 e 28 de junho, apoiado pelas Universidades Católica e Federal.

Neste caso, como me lembra o professor Jovino Pizzi, estamos tratando da ética aplicada, que está conquistando um espaço sem precedentes, já que vista sob um ângulo de prática social. Diz ele que vem amparada numa reflexão filosófica, “buscando uma presença ativa na vida pública, ou seja, na discussão de questões cruciais que a sociedade de hoje nos apresenta nos seus diversos campos da ação”.

Uma breve passada de olhos pelos jornais, é capaz de mostrar que, num momento de dificuldades visíveis, faz-se necessário não perder o norte e deixar bem claro que, mesmo em situações difíceis, necessário se faz o estabelecimento de critérios éticos que pautem as atuações e as relações, em todos os níveis.

A presença de renomados conferencistas, na certa, provocará a discussão que, acredito, tem que ser constante, repetida à exaustão, já que pode se tornar, em muitos momentos, um fio tênue a mostrar que os desvios sociais são a exceção, não a regra. Um político corrupto, um empresário explorador, uma organização que se desvia de sua vocação para o serviço, é a mostra do que não se deve fazer. Não o incentivo para que, cansados de vermos como estas coisas proliferam, acharmos que não podemos fazer nada e a infeliz idéia: “não podes vencer o teu adversário? Alia-te a ele”.

O debate desafia a estudantes e profissionais. Quem já não esteve diante de um dilema ético? Podemos elencar das situações pretensamente mais simples, até as mais complexas decisões: um estudante que não cumpre com sua obrigação elementar de estudar e cola, até um político que prefere sacrificar vidas para favorecer valores econômicos, como o tráfico de armas e a exploração de recursos naturais, deveriam estar diante de um dilema ético. Embora, na maior parte das vezes, prefira achar que estão, apenas “levando vantagem”.

Num artigo escrito logo após o primeiro seminário, falei a respeito da necessidade que se discuta e ensine padrões éticos desde os meios familiares. A premissa continua valendo. Mas vamos ter, no 2º Seminário, um espaço privilegiado para ouvir, discutir, e levar, para o nosso dia a dia, a necessidade de que este tema não fique restrito aos bancos acadêmicos. Mas que chegue a todos os públicos. Este já é um belo início.