Antes que cheguem os turistas


Dois anos seguidos, escrevi, depois de ter passado a Fenadoce, artigo com o nome de “Depois que o turista for embora”, mostrando a necessidade de que se tratasse bem o turista, pois é ele quem alimenta a “indústria sem chaminés”, aquela que não causa nenhuma poluição e, em muitos lugares do mundo, já se constitui em primeiro lugar no ingresso de capital para os municípios.

O “Liquida Verão Pelotas”, neste início de ano, mostrou que é a hora adequada para que a nossa população seja preparada para os eventos que vão ocorrer em 2003, em especial, a Fenadoce.

Dois exemplos negativos demonstram a necessidade urgente de campanhas, em todos os níveis, para conscientizar aqueles que podem ser a primeira cara de Pelotas diante de turistas que chegam do Prata, da Capital, ou do interior do Estado.

Contou-me um frentista de um posto de gasolina que abasteceu o carro de um turista: depois de tudo averiguado, a pessoa perguntou quais eram os pontos turísticos de Pelotas, entre quatro pessoas consultadas no local, nenhuma sabia dar qualquer orientação. Óbvio que, no posto, não havia nenhum panfleto orientador, com as mínimas informações sobre a cidade.

O outro caso, repetiu o que já havia acontecido comigo: um conhecido estava percorrendo a avenida Ferreira Viana quando viu estacionado um carro com placa do Uruguai e um diálogo difícil com alguém que caminhava pela mesma avenida. Parou e foi verificar o que acontecia. Na verdade, entrando pela avenida Fernando Osório, em vez de seguir pela BR, o uruguaio tinha sido “orientado” a ir em direção ao Laranjal. É óbvio, que se o carro não era anfíbio, não poderia passar a nossa Lagoa dos Patos em direção ao seu destino.

Como é muito complicado, daquele ponto da cidade, levar a “vítima” em direção ao ponto certo, preferiu retornar seu curso e servir de cicerone até próximo da ponte para Rio Grande, de onde a família seguiu, toda feliz, sua viagem. Espera-se que com uma má impressão desfeita por um ato de disponibilidade do meu amigo.

Óbvio que as pessoas não têm a obrigação de ter as informações a respeito (embora o interessante seria que tivessem), mas têm que saber, ao menos, a quem recorrer para não deixar na mão quem passa por nosso município.

Antes mesmo de se colocar no ar os promocionais adequados para a Fenadoce, é necessário que se conscientize os cidadãos do atendimento mais elementar. Neste caso, a sugestão é de que se priorize, ao menos, dois segmentos: os postos de combustíveis e a rede de ensino, em todos os níveis.

A simpatia de uma população, no atendimento ao turista, em muitos casos, é a marca registrada capaz, depois de muito tempo, de induzir aquele viajante a retornar. E sua volta significa aquela cadeia que tão bem conhecemos: turista bem tratado volta, gasta na cidade, o que gera empregos, que faz circular mais recursos e, conseqüentemente, traz desenvolvimento. Um desenvolvimento capaz de recuperarmos, para Pelotas, o que seus filhos merecem: um lugar bom para se viver, criar e educar seus filhos, abertos para um mundo que descobre e valoriza nossas potencialidades.