As Olimpíadas da vida


Contei a história numa palestra durante a Semana da Família, na comunidade Santíssima Trindade, que a Ana, esposa do Adilson, prometeu repassar para as filhas. Ela disse que tem dificuldades de incentivar as crianças a serem solidárias numa sociedade que valoriza o individualismo, o prazer pelo prazer e passar por cima se julgar necessário.

Numa determinada cidade foi realizada uma Olimpíada com provas, também, para portadores da Síndrome de Down. Foi dada a partida e todos correram. No entanto, no meio do caminho, um dos meninos desequilibrou-se e foi ao chão. Começou a chorar e uma das meninas não teve dúvidas, voltou e ajoelhou-se ao lado, perguntando se estava doendo. A esta altura, todos já tinham reduzido a velocidade. Com a resposta afirmativa, disse que a mãe sempre dava um beijo no lugar machucado para iniciar a cura. Dito e feito. Perguntou se tinha melhorado e foi estendendo a mão para ajudá-lo a levantar, já com todos os “competidores” parados e cercando o acidentado. Amparado por todos eles, continuaram, agora caminhando, até chegar ao ponto de chegada!

Todos ganharam. E a torcida que foi até ali para incentivar um a um dos participantes, aplaudiu entusiasmadamente, pois havia recebido uma lição de onde não esperavam: competir só tem graça se for por brincadeira, mas não para provar que há uma casta dos melhores que deve ser, além de reconhecida, reverenciada como exemplos para os demais.

Penso nisto quando faço palestra para jovens e apresento os seguintes dados: as empresas, através de seus departamentos de recursos humanos, estão querendo saber se seus possíveis pretendentes têm experiência em liderança de grupo e trabalho voluntário. Explica-se: jovens que se exercitam na capacidade de motivar outros jovens, ou que têm o desprendimento para colocar seus talentos à disposição de uma causa, certamente serão os líderes capazes de dar um novo status às carreiras administrativas.

Hoje, quando as Olimpíadas realizadas na China chegam às nossas casas, praticamente só vemos competidores em condições de ganhar medalhas, preferencialmente, de ouro - e a decepção quando elas não vêm. No entanto, são jovens, muito jovens mesmo, que estão tendo o seu momento de fama. Torçamos para que seus pais, familiares e treinadores tenham consciência de que este é um momento passageiro, que pode lhes dar uma bagagem para a Olimpíada mais importante: vencer - e ajudar a vencer - os obstáculos da vida.