As folhas que o outono leva


A grama desapareceu sob a fina camada de folhas que o vento sul jogou ao chão.

A grama já parou de crescer,

Só volta a brotar de novo quando chegar a primavera.

A natureza entra em tempo de hibernação.

O horizonte das ruas pela manhãzinha ou à tardinha fica envolvido pela névoa fria,

Quando se quer chegar mais cedo em casa, buscar o calor de um fogo amigo e o aconchego de um corpo.

E há algo que aproxima:

- A folha que cai,

- A bruma da manhã ou da tarde;

- E o caminhante que enterra as mãos nos bolsos em busca de um aconchego.

O momento do silenciar e a expectativa da estação das flores - o momento de ressurgir para a vida.

Mesmo que para trás tenha ficado o gosto de uma lágrima por uma perda no tempo;

Como a folha que caiu e não viu outra renascer;

Como a bruma evaporada que não pode sentir a carícia do sol.

Ou como o andante que acorda no meio da noite com um soluço

Trancado na garganta porque não alcançou o sentido de ter uma mão estendida,

Sem alguém que possa fazer cessar o arrepio de frio que lhe embotou a alma.