Aula 10 - zonas de visualização da página impressa - 14 de maio

 

A nova concepção gráfica no jornalismo determinou uma série de fatores que contribuíram para a elaboração de um modelo ou padronização gráfica utilizada pela maioria dos grandes jornais dos nossos dias. É uma tarefa das mais estimulantes para o redator-chefe do jornal, em conjunto com o diagramador, estabelecer uma linha gráfico-editorial. É um trabalho de grande importância, pois dele depende o sucesso do jornal como veículo de comunicação.

Os canais de comunicação de massa eletrônicos criaram esta necessidade de ordenamento das coisas, onde a uniformidade gráfica e editorial tornou-se, hoje, um imperativo. Este padrão gráfico deve ter antes de tudo um fundamento filosófico do dono da empresa jornalística, que será aliado a uma estrutura gráfico-editorial. Esta padronização representará para o consumidor (leitor) a imagem do jornal, com embalagem e conteúdo eficientes.

Há algum tempo atrás os jornais apresentavam-se confusos e desordenados gráfica e editorialmente. Hoje, a instantaneidade dos veículos de comunicação de massa eletrônicos, obrigou-os a uma arrumada na casa, como medida de sobrevivência e interesse de atrair o leitor.

A primeira página de um jornal representa a embalagem de todo o produto. É importante que esta página reúna características e atrativos individuais para que o leitor possa identificar o jornal através dela.

Não existem regras rígidas para se desenhar ou diagramar uma página de jornal. Há, sim, sólidos princípios e invariáveis que podem ser dominados. Segundo Edmund C. Arnold, um jogador de futebol. Este, por exemplo, jamais pode aprender o que deve fazer em determinado momento. Os planos de ataque e defesa da equipe têm muitas e inúmeras variáveis. O jogador deverá concentrar-se em aprender os princípios do jogo de modo que instintivamente saiba atuar em qualquer momento numa situação de mudança rápida. Muitos redatores-chefes em jornais são iguais a jogadores de futebol, raciocinam por instinto. Aliados a eles, os diagramadores lutam juntos para encontrar uma forma mais adequada de levar a notícia ao leitor.

Numa página de jornal podem ser observadas as zonas de visualização.

Quando alguém recebe uma comunicação escrita, uma carta, qualquer recado de um amigo, instintivamente sua visão se fixa no lado superior à esquerda do papel, pois estamos condicionados a saber que o começo da escrita ocidental será sempre no lado superior esquerdo.

Preocupado com esse assunto, Alberto Dines observa: "A grafia ocidental da esquerda para a direita, no sentido horizontal, é um dos alicerces do percurso obrigatório dos olhos, influindo decisivamente em nosso comportamento."

Da mesma forma, preocupado com o movimento ótico e o condicionamento ocidental de leitura da esquerda para a direita, Arnold adverte sobre as zonas de visualização da página impressa.

Numa página de jornal, facilmente poderemos identificar as seguintes zonas de visualização:


 

1. Principal ou primária;

2. Secundária;

3. Morta;

4. Morta;

5. Centro ótico;

6. Centro geométrico.


 

A zona primária deve conter um elemento forte para atrair a atenção e interesse do leitor. Esse elemento pode ser uma foto, um texto, um grande título. As fotografias são elementos que mais atraem a atenção. Mas seria ilógico e monótono usar sempre esse recurso.

Assim como a visão instintivamente se desloca com rapidez em diagonal para o lado inferior oposto, a rota básica da vista se projeta do lado superior esquerdo para o lado inferior direito. Para isso o diagramador terá o cuidado de preencher as zonas mortas e o centro ótico da página com aspectos atrativos para que a leitura se tome ordenada, com racionalidade, sem o deslocamento brutal da visão.

Dessa forma, acrescenta Amold, "cabe à diagramação preencher esses espaços mortos da página com elementos de grande atração visual, proporcionando e conduzindo a leitura de forma confortável e ao mesmo tempo rápida".

É importante lembrar que o centro ótico ou o centro real de qualquer peça impressa está situado um pouco acima do centro geométrico, quando do cruzamento das diagonais. A altura do centro ótico varia de acordo com a dimensão da página, dependendo da relação entre largura e altura.

 

Zonas de visualização da página

Garcia e Adams descobriram que a leitura dos jornais foi feita em duas etapas: primeiro, os leitores faziam uma varredura na página (scanning), procurando pontos de interesse. Essa parte durou frações de segundos. Depois, os leitores se fixavam em “pontos de entrada”. Estes pontos — os locais onde os leitores faziam uma visualização mais demorada — eram determinados, entre outros fatores, pelo tamanho das fotos, pelo conteúdo destas, se a foto era coloria ou não.

Veja alguns dos resultados obtidos pela pesquisa Eyes on the news. Por exemplo, o índice de visualização da primeira página de um jornal preparado especialmente para o estudo. Estes números se referem ao “ponto de entrada” na página, ou seja, o ponto em que os leitores começaram a “ler” fotos ou texto.

O que nós exploramos nesta seção deve nos lembrar um simples princípio do design: crie hierarquia. O objeto do bom design de publicação é primeiro atrair o leitor, então guiá-lo através da informação. Muitos jornais abandonam leitores por deixá-los livres para vagar através de campos e florestas do desconhecido. Não admira que tantos leitores fiquem perplexos e eventualmente perdidos. Criando uma hierarquia de movimento através de uma página ou de páginas espelhadas, nós podemos orientá-los e aconselhá-los gentilmente, mas efetivamente, estabelecendo uma harmonia de movimento que resulta em compreensão. Para planejar esta viagem para os outros, nós primeiro necessitamos ver o que o leitor vê — neste caso, duas páginas por vez.

 

Tabela de Estilos

Nome do estilo

Função

Formatação

Observação

Antetítulo

Antecipar o assunto da matéria.

Corpo 16

Pouco lido. Tem função quase que só visual. No RS, chama-se “cartola”. No Brasil, “Chapéu”.

Subtítulo

Explica um pouco mais o assunto.

C.18, itálico

No RS, chama-se “linha de apoio”.

Resumo (olho)

Mesma função do subtítulo.

C.12

O nome “resumo” é mais descritivo.

Autor - nome

Nome do autor da matéria

C.12

No início ou no final da matéria, conforme o projeto gráfico.

Autor - complemento

Cidade do autor ou complemento, como profissão.

C.12 ou c.10

 

Primeiro parágrafo

Pode ter uma capitular ou uma fonte diferente.

C.10, baseado no normal

O Pagemaker não permite a capitular determinada como estilo de parágrafo.

Normal

É o formato da maior parte dos textos.

C.12, c.11, c.9, com entrada na primeira linha.

 

Entretítulo (intertítulo)

Quebra textos longos.

C.10 ou 12

 

Legenda

Descreve a foto

C. 10 ou 12

 

Crédito

Autor da foto ou ilustração

C. 5 cx. alta

Obrigatória por lei

Destaque (olho, arejador)

Alguma frase do texto, destacada em corpo grande.

C.24, fios abaixo e acima

Destaque“. A solução quando não há foto ou ilustração. Cria um novo interesse a um texto que poderia ser visualmente chato.

Box - título

 

C.24

Matéria menor relacionada a uma maior, cercada por fio. Não edite assuntos em um único e monolítico texto. Quebre em várias matérias menores, com mais chance de ser lida que um “tijolão”.

Box - texto

 

C.12

Baseado no normal

Tabela de estilos de Títulos

Títulos primários.

Títulos auxiliares.

Nome

Função

Formatação

Nome

Função

Formatação

Título 1 negrito

Título principal de página

C.48, fonte pesada

Título 1 claro

Título primário auxiliar

C. 48, fonte leve

Título 2 negrito

Título secundário

C.36

Título 2 claro

Título secundário auxiliar

C.36, baseado no Título 1 claro

Título 3 negrito

Título terciário

C.30

Título 3 claro

Título terciário auxiliar

C.30, baseado no Título 1 claro
ou no Título 2.

Título 4 negrito

Título quaternário

C.24

Título 4 claro

C.24, baseado no Título 1 claro
ou no Título 3.

Título 5 negrito

C.20

Título 5 claro

C.20, baseado no Título 1 claro
ou no Título 4.

Título 6 negrito

C.18

Título 6 claro

C.18, baseado no Título 1 claro
ou no Título 5.

Título 7 negrito

C.16

Título 7 claro

C.16, baseado no Título 1 claro
ou no Título.

Página do professor Meira da Rocha

Dicas sobre Pagemaker: http://www.juliobattisti.com.br/tutoriais/keniareis/pagemaker7001.asp

Capas de jornais pelo Mundo: http://www.newseum.org/todaysfrontpages/