Aula
10 - o artigo jornalístico - 14 de maio

 

1 - O que é - Os gêneros opinativos constituem as manifestações da “dimensão de profundidade” jornalística, segundo Bartolomé Mostaza. O artigo, como a crônica e o editorial, aprofundam aspectos relativos a fatos de maior repercussão no momento. No jornalismo diário, a opinião refere-se a um fato do dia. O artigo contém comentários ou teses fundados em visão pessoal. Assim, há uma diferença entre o editorial e o artigo e a crônica: os dois últimos “escapam aos limites restritos do editor, dos princípios gerais e das teses orgânicas da empresa, dos compromissos e diretrizes que esta mantém e busca traçar para o comportamento público”. (1980, p.64) Segundo Fraser Bond, o artigo, como a crônica, é um ensaio curto e de natureza contemporânea.

 

2 - Os autores - O artigo e a crônica são produzidos por colaboradores do jornal ou revista, que “são pensadores, escritores e especialistas em diversos campos, e cujos pontos de vista interessam ao conhecimento e divulgação do editor e seu público típico”. Portanto, na maioria dos casos, o ponto de vista dos articulistas coincide com a linha editorial do veículo, embora este sempre traga estampada a ressalva típica: “Os artigos publicados com assinatura dos autores não traduzem necessariamente a opinião do jornal”. (Bond)

 

3 - Objeto/fonte - Os fatos jornalísticos se caracterizam pela sua plasticidade, por se nutrir do efêmero, do circunstancial, do acidental, fatos que se desdobram, que variam. Portanto, “a base do artigo deve ser a “irracionalidade dos fatos”; o perturbador e constante cambiar da atualidade.” (Bond)

 

4 - Objetivos - Os jornais têm como propósito, na veiculação de tais mensagens: orientar o leitor; “estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.” (Folha de São Paulo)

 

5 - Estrutura - A estrutura do artigo é idêntica à do editorial. Compõe-se dos seguintes elementos:

5.1. Título: poucas palavras, incisivo, expressando a linha ideológica adotada.

5.2  Introdução: formulação da notícia ou idéia que deu origem à notícia.

5.3. Corpo: É o local em que se dá a discussão ou argumentação: interpretação, análise, debate dos diferentes aspectos do tema. Consiste em:

- expressar as implicações, confrontar o tema com outros semelhantes, manipulá-lo, desintegrá-lo;

- pensar não só como o editor, mas também como pensariam seus opositores;

- antecipar-se às críticas e destruir previamente as objeções que se fariam à opinião expressa.

5.4.  Conclusão: Assume diferentes modalidades: exortação, apelo, palavra de ordem, constatação pura e simples. Em face dos objetivos (item 4) e das características de estilo “topicalidade” e “condensabilidade” (item 6), o artigo não deve se propor a promover um juízo de valor perene. “O máximo que se lhe pode pedir são conclusões provisórias...” (Danton Jobim)

 

6. Estilo - Para compor o artigo, seu autor dispõe de tempo suficiente para trabalhar bem o texto. Portanto, do autor exigem-se alguns dotes, como o “talento crítico e expositivo..., que não incorra nos vícios estilísticos, notadamente no lugar-comum ou na redundância...”. O texto deve ter estilo com as seguintes características:

6.1. Topicalidade: Debater um único tema. Exprimir não só a opinião sedimentada, quanto aquela que está em formação.

6.2. Condensabilidade: Tratar uma idéia única central. O texto é curto. A linguagem, simples, direta, incisiva, cortante, enérgica e convincente. A marca dessa característica acha-se no espaço destinado ao texto, na fonte empregada, e na redação. Em relação a esta última: a) maior ênfase nas afirmações do que nas demonstrações; b) repetição regulada de idéias e conceitos, ou seja, a redundância deve ser relativa e subordinada sempre à existência de fatos novos. (BELTRÃO, L. 1980, p.54)

6.3. Há outras características básicas a qualquer texto:

- Pontuação correta: é fundamental para aumentar o nível de compreensão.

- Circunstâncias: uso de conjunções, preposições, advérbios, de modo adequado. Isso significa o uso de linguagem que bem caracteriza os enfoques, as circunstâncias: de causa-efeito, contraste, tempo-espaço, explicitação, enumeração, condição, etc. O emprego desses elementos sintáticos, porém, não deve ser excessivo.  Uma regra básica para evitar o excesso é o emprego equilibrado entre a coordenação e a subordinação.

 

Jânio de Freitas parte do pressuposto de que “nunca se escreve para todos os leitores, senão para um público pré-determinado, cujo nível já se conhece antecipadamente”. Por isso, dá a seguinte receita para a estrutura e o estilo do artigo:

a) Roteiro: Conter um roteiro de pensamento segundo a cabeça do leitor e não de acordo com o raciocínio do redator, de modo a conduzir o leitor à compreensão progressiva e entrosada das idéias. Este, segundo Jânio, é o único meio de compreender o todo;

b) Clareza: Significa não conter “palavras e frases muito empoladas, muito pretensiosas”, retiradas do “sociologuês” e do “economês”, que são “termos e expressões inalcançáveis pelo leitor”. Isto não significa, porém, vocabulário pobre;

c) Concisão: Consiste na limpeza do texto: expor mais idéias com menos palavras, com parágrafos curtos e textos pequenos. Não reduzir em demasia, porém, os parágrafos.

A concisão relaciona-se tanto com a clareza e a objetividade quanto com a estética: quando o leitor vê texto muito longo, evita-o. Jânio de Freitas conclui, alertando: “Ao ser claro, não seja primário. Ao ser conciso, não seja telegráfico”.

 

Trabalho para 21 de maio: escrever um artigo 

 

Referências:

BELTRÃO, Luiz. Jornalismo opinativo. Porto Alegre: Sulina, 1980. p.64-66

FREITAS, Jânio de. A Busca do texto ideal. In Revista de Comunicação, Ano 1, No. 2, p.14-15.

MELO, J. M. de. A Opinião no jornalismo brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1985.

http://lucajor.vilabol.uol.com.br/artigojornalistico.htm

Novo jornalismo http://paginas.terra.com.br/arte/familiadacoisa/IRD/monogonzo03.html

FONTE: Professora Joanita Mota Ataíde - Universidade Federal do Maranhão