Aula
2 - texto - 05 de março.

 

Surgimento do Manual de Redação

Leio no matutino El País, de Montevidéu, uma boa crítica, ou melhor, resenha, do livro de William Strunk Jr., Os elementos do estilo, com revisão, introdução e capítulo adicional de E. B. Whrite, editado por Macmillan em Nova York no ano em curso. Um opúsculo (pequena obra) de 84 páginas, aparentemente cheio de saber. À guisa de apresentação do autor, conta o crítico de El País que a parte de substância do livro já estava escrita por William Strunk Jr. desde 1918, quando era professor de altos estudos da língua inglesa, sendo E. B. White, então, aluno seu. Há dois anos, já morto o mestre em 1946, recebeu White - que crescera em renome como contista, ensaísta, poeta e repórter dessa excelente revista americana que é o New Yorker - um exemplar do livrinho de que nunca mais soubera, o que fê-lo escrever um nostálgico in memoriam para a sua publicação. A onda que fez o artigo foi recolhida pelo receptor de Macmillan, e é este o resumo da ópera.

A dar crédito ao crítico de El País, o livro representa, para o escritor em língua inglesa, e mesmo nas demais, uma bengala de indisfarçável utilidade, sobretudo num momento climático de atividade editorial, como o que vivemos. E eis como situa ele, ao isolar num parágrafo o módulo do pensamento de Strunk:

"A prosa vigorosa é concisa. Uma frase não deve conter palavras desnecessárias, nem um parágrafo frases desnecessárias, pela mesma razão que um desenho não deve ter linhas desnecessárias, nem uma máquina partes desnecessárias. Isto não quer dizer que um escritor faça breves todas as suas frases, nem que evite todo detalhe, nem que trate seus temas apenas na superfície; apenas que cada palavra conta".

Para Strunk (atenção, "focas", pois a linguagem jornalística é especialmente mencionada na obra!):

 

Os conselhos para um bom estilo

Podem resumir-se no seguinte:

1. Use uma linguagem positiva: em vez de "habitualmente não chegava à hora", diga "habitualmente chegava tarde"; em lugar de "não recordou" diga "esqueceu" - e isso porque, consciente ou inconsciente, o leitor prefere que se diga o que é a o que não é.

2. Seja concreto: "Sobreveio um período de tempo desfavorável" constitui uma vagueza. "Choveu diariamente uma semana" , seria a boa fórmula.

3. Abrevie o mais que puder: escrever "atos de natureza hostil" é alongar de dois centímetros "atos hostis".

4. Não qualifique: sempre que não se tratar de estabelecer uma opinião, a qualificação prévia é desnecessária. Dizer que é "interessante" o fato que se vai narrar é pichar o leitor de inimaginativo.

5. Não use adornos: o estilo não é um molho para temperar uma salada; o estilo deve estar na própria salada.

6. Coloque-se atrás do que escreve: escreva de tal forma que a atenção do leitor seja despertada, sobretudo pelo sentido e pela substância do que está dito, e não pelo temperamento e pelos modismos do autor. O primeiro conselho a dar ao escritor que começa seria, pois: para chegar a um estilo, comece por não ter nenhum.

7. Use substantivos e verbos: evite o mais possível adjetivos e advérbios. Não há adjetivo no mundo que possa estimular um substantivo exangue (sem força) ou inadequado; isto sem subestimar adjetivos e advérbios, quando corretamente empregados. Mas a verdade é que são os nomes e os verbos que dão sal e cor ao estilo.

8. Não superescreva: a prosa excessivamente rica, adornada ou gorda torna-se mais facilmente nauseante.

9. Não exagere e seja claro: primeiramente, porque o exagero pode tornar o leitor suspicaz (desconfiado); e a clareza, é lógico, facilita a comunicação. Mais vale recomeçar uma frase longa com que se está brigando, que persistir na briga. Freqüentemente uma frase longa nada mais é que duas curtas.

10. Não opine sem razão: ter por hábito ventilar opiniões próprias é prejulgar que o leitor as esteja pedindo, o que constitui um sinal de vaidade.

(“O melhor de Vinicius de Moraes", publicado na década de 50 e republicado pela Folha de São Paulo, em 1994).

 

Texto

Um bom texto jornalístico depende, antes de qualquer coisa, de:

-         Clareza de raciocínio e

-         Domínio do idioma.

Não há criatividade que possa substituir esses dois requisitos.

Deve ser:

-         Um texto claro e direto.

-         Desenvolver-se por meio de encadeamentos lógicos.

-         Exato e conciso.

-         Redigido em nível intermediário, ou seja, utilizar-se das formas mais simples admitidas pela norma culta da língua.

Convém que os parágrafos e frases sejam curtos e que cada frase contenha uma só idéia.

Verbos e substantivos fortalecem o texto jornalístico, mas adjetivos e advérbios, sobretudo se usados com frequência, tendem a piorá-lo.

O tom dos textos noticiosos deve ser sóbrio e descritivo. Mesmo em situações dramáticas ou cômicas, é essa a melhor maneira de transmitir o fato da emoção.

Deve evitar fórmulas desgastadas pelo uso e cultivar a riqueza dos vocábulos acessíveis à média dos leitores.

O autor pode e deve:

-         Interpretar os fatos,

-          Estabelecer analogias e apontar contradições, desde que sustente sua interpretação no próprio texto.

Deve abster-se de opinar, exceto em artigo ou crítica. (Manual de Redação da Folha de São Paulo – 1994)

 

“Se quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo amolando o machado.” (Provérbio chinês)

 

Segundo trabalho: para entrega até o dia 13 de março: fazer matéria de geral, podendo construir um lide completo e uma pirâmide invertida.