Aula
3 - qualidades de um texto - 12 de março.

 

Qualidades de um texto

A coerência - Ser coerente é não se contradizer. É sustentar o ponto de vista, por meio de argumentos, de forma a não ir contra o que nós mesmos já dissemos.

A concisão/coesão - Ser conciso é ser preciso, exato, eliminando do texto tudo aquilo que é desnecessário; é ser objetivo.

A correção - A linguagem do texto deve obedecer ao padrão formal, isto é, deve estar de acordo com as regras gramaticais.

A clareza - A idéia deve ser compreendida pelo leitor rapidamente. Por isso é preciso ser coerente e ter cuidado para não se contradizer.

Como ser claro? Simples: obedecendo às normas gramaticais, evitando frases longas e vocabulário rebuscado (sem uso comum, de difícil compreensão).

A elegância - A elegância consiste em tornar agradável a leitura do texto. Como? Respeitando as qualidades já citadas, sendo criativo e original (ou seja, sem ficar repetindo o que todos ouvimos sempre).

A elegância do texto também tem uma relação direta com a estética propriamente dita. Ou seja, letra ilegível, rasuras e borrões são considerados “inimigos” dos que buscam uma boa nota por sua produção textual. Outro aspecto que também vai de encontro à elegância é o desrespeito à margem, distância que sempre deve ser observada.

 

Os defeitos de um texto

É óbvio que os defeitos são exatamente o contrário do que citamos como qualidades. Contudo vale ressaltar que um texto, para ser realmente bom, pode até mesmo não ter todas as qualidades recomendadas, mas o essencial é não apresentar nenhum dos defeitos a serem trabalhados a seguir. Pois a presença de um deles pode empobrecer e muito a produção textual. Então, esteja sempre atento!

Ambigüidade - Uma frase ambígua é aquela que apresenta mais de um sentido.

Veja: “Em época de pleito* é comum ouvirmos candidatos dizendo ao povo que se preocupam com o seu bem-estar”.

*Ortografia/Semântica: pleito = eleição; preito = homenagem

Analisando: “bem-estar” de quem? Do próprio candidato? Do povo?

Percebe-se que o pronome possessivo (seu) não foi bem-empregado.

Obscuridade - A obscuridade é ainda pior que o a ambigüidade, pois, quando se é ambíguo, pode-se ter duas interpretações, enquanto que na obscuridade, muitas vezes, não podemos nem mesmo imaginar do que se trata. É uma falta total de clareza.

Normalmente a obscuridade é causada por fases longas, má pontuação, desrespeito à normas gramaticais e linguagem rebuscada.

Analise um trecho retirado da Folha de São Paulo já há algum tempo:

“As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito. A decisão atende a uma portaria de Dezembro de 1991, do Juizado de Menores, que proíbe que as casas de vídeo aluguem, exponham e vendam fitas pornográficas a menores de dezoito anos. A portaria proíbe ainda os menores de dezoito anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou autorização dos pais.” Fica a pergunta: então, se estiverem acompanhados dos pais, os menores poderão ir a motéis?

 

Pleonasmo - É uma espécie de redundância; é repetir o que já foi dito.

No Ensino Médio estudamos que Pleonasmo faz parte dos Vícios de Linguagem e nos são passados exemplos de expressões que devemos evitar, tais como “subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar para dentro” e “sair para fora”. Contudo não são apenas esses os pleonasmos existentes.

Veja outros casos: matinal da manhã, noturno à noite, hemorragia de sangue, dois irmãos gêmeos, há tanto tempo atrás, ganhou de graça.

No entanto, quando usado de maneira poética, o Pleonasmo não constitui um erro.

Exemplos:

“E rir meu riso e derramar meu pranto.” (Vinícius de Moraes)

Os sonhos mais lindos, sonhei...” ( F. D. Marchetti e M. de Feraudy, versão de Armando Louzada).

Cacofonia - É um som desagradável (às vezes, obsceno), resultante da proximidade de determinadas sílabas.

Por exemplo: lá tinha, da vez passada, mande-me já.

Eco - É a repetição de palavras terminadas pelo mesmo som.

Observe: A decisão causou comoção na população.

Corrigindo: A decisão fez com que o povo se comovesse.

Prolixidade - A prolixidade é o oposto da concisão. Consiste, portanto, em utilizarmos mais palavras do que o necessário, tornando a leitura cansativa e de difícil compreensão.

O uso de cacoetes lingüísticos (expressões que não acrescentam nada ao texto, as quais só falamos porque estamos acostumados a ouvir) deve ser evitado.

Por exemplo, não devemos introduzir um texto com expressões do tipo “antes de mais nada” ou “inicialmente”, pois, se estamos iniciando, é óbvio que é “inicialmente”.

Outros casos: pelo contrário, por outro lado, por sua vez.

Na prolixidade (lembre-se: ser prolixo é “enrolar”; é não ser objetivo) também encontramos o uso dos chavões.

Os chavões são frases ou expressões “feitas” as quais só empobrecem o texto.

Veja alguns exemplos: inflação galopante, caloroso abraço, caixinha de surpresas, vitória esmagadora e outros.

Incoerência - Ser incoerente é se contradizer. Por isso, tome muito cuidado e releia mais de uma vez seu texto, analisando-o, principalmente para que a conclusão não “destoe” do restante do texto.

O desrespeito às regras gramaticais pode causar incoerência. Portanto tenha muita atenção com as regras de concordância, de regência, de acentuação e até mesmo com a ortografia.

Veja:

RETIFICAR = corrigir

RATIFICAR = confirmar

IR DE ENCONTRO = chocar-se; idéias contrárias

IR AO ENCONTRO = lado a lado; idéias afins, semelhantes

http://www.prevestibular.ufsc.br/arquivos/DicasdeRedacao_%20prof_joseana.pdf

 

“Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.” (Provérbio chinês)

 

Trabalho para o dia 20 de março: produzir um texto cuja fonte tenha sido entrevistada pessoalmente.