Aula 4 - Produção visual de periódicos e revistas - 19 de março

Os dois principais grupos de periódicos são as revistas e os jornais. O principal fator diferenciador desses dois formatos é a encadernação, já que os jornais costumam ser simplesmente dobrados e as revistas têm suas folhas fixadas.

A revista – publicações periódicas que abordam os mais variados ramos do conhecimento humano com os mais diversos graus de abrangência ou especificidade, as revistas perseguem um visual cada vez mais sofisticado, empregando os mais avançados recursos tecnológicos das artes gráficas.

Mas recursos tecnológicos não bastam para tornar uma revista um bom produto gráfico. Trabalhando com formas regulares e previsíveis como retângulos ou quadrados, como é possível produzir peças atraentes, legíveis e que se diferenciem em um mundo cada vez mais competitivo e diversificado?

A criatividade nos projetos gráficos e na diagramação é que diferencia os veículos e os profissionais que se propõem a desenvolver produtos para a mídia impressa. Diagramar é uma técnica que une ciência e arte, utilizando o espaço da página, colunas de texto e recursos gráficos como um caminho que deve conduzir a percepção do leitor para o objetivo definido nas diretrizes editoriais.

Colunas e resultados – O emento gráfico essencial de uma revista são as colunas de texto. A divisão das revistas por colunas nasceu da necessidade de tornar o custo do espaço publicitário mais atraente, pois uma página de revista de grande circulação pode atingir preços muito altos; com a divisão por colunas e a possibilidade de compra de espaços menores, a veiculação publicitária tornou-se mais acessível para empresas de pequeno e médio porte.

Colunas em diagramas nada mais são que recipientes de letras que, com maiores ou menores larguras, vão comportar um número maior ou menor de toques. Ao planejar uma publicação, esses diagramas podem ser desenhados livremente, tendo como critério a atratividade que devem conferir à publicação – o designer define o número ideal de colunas, sua largura e se esse padrão será ou não seguido ao longo de toda a publicação. Uma regra básica de diagramação é que quanto menor a largura da coluna, menor deve ser o corpo da letra, sendo o inverso verdadeiro.

É fato comprovado que quanto maior o número de vezes que o leitor piscar os olhos ao ler uma linha de texto impresso, maior o cansaço que esse texto lhe provoca. Consideramos que o número ideal de toques em uma coluna, para não cansar demais o leitor, está entre 39 e 52 toques – equivalentes a aproximadamente dois alfabetos em caixa baixa do tipo de letra e corpo que estivermos usando. Assim, não se pode dizer que exista uma largura de texto ideal; o que existe é uma coluna com certo número de toques que está dentro de um grau de legibilidade que depende do corpo da letra que estamos usando.

Se fizermos uma verificação no mercado editorial de revistas notaremos uma grande predominância de páginas dispostas em três colunas. Essa relação está relacionada à facilidade de leitura, pois a largura da coluna em uma página com três colunas mede em média 55 mm, para revistas com formato fechado em torno de 205 mm de largura por 275 mm de altura. Essa largura comporta em média 40 toques impressos por linha, quando o texto é comporto no corpo 10.

Qual a diferença de usarmos seis colunas no diagrama, em vez de três? Praticamente nenhuma, mas a flexibilidade que esse novo modelo vai proporcionar permite um sem número de opções de disposição para um mesmo texto.

Os destaques na revista ficam por conta da capa, primeira página, as páginas simples internas, as páginas duplas e a página final.

As capas – A disposição dos elementos nos layouts das capas, como acontece com qualquer outro produto impresso, é caracterizada por simetrias ou assimetrias.

Os logotipos – Um dos fatores que contribuirão para a sobrevivência da publicação é a fixação do logotipo na mente do público leitor. O logotipo, em geral, obtido por meio de uma tipologia marcante e/ou por cores específicas, é um detalhe que necessita de muito estudo antes de sua definição. Depois da primeira publicação, alterações somente são aceitáveis depois de um bom período de tempo e, quando necessárias, devem ser sutis, evitando-se intervenções radicais no desenho – caso contrário, pode-se comprometer a identidade da publicação e acarretar a perda dos leitores já conquistados.

A maioria das capas de revistas inclui de uma a dezenas de chamadas para seu conteúdo, de modo a despertar a atenção do potencial leitor. Não existe um parâmetro que determine qual é a quantidade ideal para uma publicação. O importante, em qualquer estrutura, é que o designer saiba destacar as manchetes mais atraentes da capa, quando houver mais de uma e, se for só uma, posicioná-la de maneira estratégica para capturar a atenção do público-alvo. Em nenhuma hipótese as chamadas de capa devem interferir na visualização das imagens. Quanto à tipologia para as chamadas, deve priorizar a visibilidade das letras, o que privilegia as lapidárias.

As imagens de capa são contundentes. Devem ter a capacidade de captar a atenção do público, respeitando a resolução adequada, contraste de cores e se as cores de fundo não estão muito próximas das de elementos que compõem a imagem.

Páginas internas – Apresentam seções que permitem ao designer valorizar seu trabalho e, ao mesmo tempo, induzir o público a uma leitura agradável. Detalhes que às vezes passam despercebidos aos desenhistas são focos visuais que podem e devem indicar ao leitor a sequência e o ritmo com que deve absorver as informações.

As primeiras páginas – Com desenho arrojado, provoca empatia com o público e destaca a filosofia, a identidade visual e a proposta editorial do veículo. Pode ou não fazer parte de sua estrutura o sumário, pois na maioria delas as informações editoriais são a prioridade.

Simetria ou assimetria – Ao avaliar um briefing, qualquer que seja ele, o designer terá que considerar vários fatores para se decidir por um layout simétrico ou assimétrico. O primeiro deles é se o anúncio a ser produzido será uma página par ou uma página impar. Isso porque os layouts simétricos permitem veiculação indeterminada, enquanto a indicatividade dos layouts assimétricos depende de sua disposição. Como as imagens principais devem estar voltadas para a parte interna da publicação, para não dispersar a atenção do leitor, os layouts assimétricos somente poderão ser usados em páginas determinadas, o que aumenta o custo da veiculação.

Um layout é classificado como simétrico quando seus pesos visuais se equivalem em valores, estando sua sustentação assentada no centro geométrico, que é determinado pelo cruzamento das diagonais de um formato determinado. Par avaliar se uma disposição é simétrica, basta imaginar uma linha que passe pelo centro geométrico e verificar se existe compensação entre os pesos visuais da página.

Um layout é considerado assimétrico quando seu equilíbrio não mais está assentado na divisão quase que matemática dos pesos visuais, passando para o que chamamos de centro óptico, e a indicatividade passa a ser um critério lógico de distribuição dos elementos de composição do layout. No entanto, dizer que há desequilíbrio em layouts assimétricos é fugir da realidade do designer. O equilíbrio, neste caso, é conseguido com a evolução harmônicas formas e suas disposições.

Em Produção Gráfica – arte e técnica da mídia impressa. Antonio Celso Collaro

Person Prentice Hall, São Paulo, 2007.