Aula 5 - Produção visual de jornais - 26 de março de 2012

O jornal é uma das formas mais antigas de comunicação impressa e constitui o meio de comunicação impresso mais rápido e imediato, contendo notícias, ideias e comentários sobre os acontecimentos diários. Tecnicamente, os jornais atuais são classificados por seus conteúdos redacionais, formatos e periodicidade de circulação. Ao projetar um jornal, o designer precisa levar em conta todos esses atributos para direcioná-lo adequadamente ao seu público-alvo. A definição do formato de um jornal depende grandemente do público que se deseja atingir. Os formatos mais comuns são denominados newsletter, tablóide e standard.

Newsletter – é publicado por e para uma empresa ou instituição e seu conteúdo é direcionado para seu público interno, externo ou ambos, com o objetivo de manter, divulgar e melhorar a imagem da instituição junto a colaboradores e clientes. O desenho desse material vai ao encontro do nível que queremos atingir com esse tipo de comunicação. Se nossa empresa tem um corpo de funcionários com formação intelectual elevada e nosso produto atinge um público da mesma categoria ou mais alta, a disposição, as imagens, a tipologia e as cores serão aplicadas de modo a privilegiar a informação. Se for uma cultura mais primária, o estilo será mais agressivo, imagens mais contundentes, com textos mais curtose acompanhados de títulos maiores e cores mais fortes.

As partes que o compõem: editorial, família, educação, assuntos gerais, atividades e acontecimentos familiares, admissões e promoções, entrevistas, calendário, diversão, cartas e publicidade.

Fatores importantes: número de páginas, frequência da publicação, profissionais envolvidos, tempo de produção, tipo de publicação, custo por exemplar, suporte, formato, sistema de impressão, acabamento, número de cores e escalas usadas, letras do texto, títulos e subtítulos, proporção de imagens, sangrias e informações complementares, recursos gráficos de ilustração.

Tipo de desenho: Assim como nas revistas, o tipo de diagramação adotado determina o estilo que o veículo vai assumir junto ao público leitor. A maneira de dispor as matérias é semelhante à utilizada nas revistas. Com relação ao uso de fotos, vale a pena orientar os fotógrafos para produzir versões das fotos nos sentidos horizontal e vertical, para que se tenha flexibilidade no design.

Diagramação vertical: Deve-se projetar páginas em uma, duas ou três colunas, formando retângulos com textos adequadamente legíveis. Essa forma não agrada muito aos designers por não permitir mobilidade das fotos e dos textos, mas se pode quebrar a monotonia por meio das cores, da tipologia e das larguras diferenciadas das colunas.

Diagramação horizontal: Permite maior flexibilidade no desenho da página, o que propicia visuais mais contrastados e, consequentemente, mais agradáveis. Para horizontalizar o desenho da página, o que é particularmente interessante em jornais do tipo newsletter, pode-se seguir alguns parâmetros que não são obrigatórios mas auxiliam na obtenção de desenhos dinâmicos: pequenas matérias, proporção dos títulos, ocupação do espaço.

Diagramação modular: Dispor matérias de forma modular implica em distribuí-las horizontal e verticalmente no mesmo espaço. Esse desenho é o mais indicado, pois as disposições contratantes ajudam a quebrar a monotonia.

Títulos, subtítulos (linha de apoio) e legendas: O objetivo é buscar um padrão que seja de alta legibilidade e ao mesmo tempo personalize visualmente o veículo. Além disso, os diferentes corpos definidos para os subtítulos são fundamentais para a disposição racional das matérias. Depois, é a criatividade, que não é sinônimo de “invencionice”.

Tablóides – são jornais em que suas medidas giram em torno do formato A3 (297 mm x 420 mm). Sendo flexível, econômico e mais prático que o formato standard, é muito usado para publicações setoriais e boletins ou como encarte em jornais, mas em algumas regiões e mercados – como no sul do Brasil, onde a influência européia é muito forte – chega a ser adotado como formato padrão de jornais diários.

A diagramação do tablóide não foge às regras estabelecidas para newsletter, no entanto, por proporcionar espaços maiores para disposição de matérias, imagens e publicidade, o desenho torna-se mais flexível e os padrões são mais fáceis de delinear. Outra característica desse formato – e uma preocupação para os designers – é a presença maior da publicidade, já que o grande recurso mantenedor dos tablóides é a propaganda.

Standard – Segue o modelo americano. Medindo em torno de 560 mm por 320 mm, é o formato dos veículos com maior tradição jornalística do mundo. Possuem mais espaço para que se jogue com um desenho mais arrojado. Por serem considerados tradicionais, apostam na respeitabilidade do seu formato e no fato de serem formadores de opinião. Ainda assim, hoje é necessário empregar muita criatividade no desenho dos jornais para que se mantenham atraentes, trabalhando com cadernos específicos e design atraente.

Todos os cuidados recomendados para os tablóides se exacerbam quando se trata de planejar um jornal diário. Muitos cabeçalhos – a marca registrada de um jornal diário – permanecem iguais por décadas ou até mesmo séculos, pois qualquer mudança traz o risco de um prejuízo para a imagem e a credibilidade do órgão de informação.

Com a evolução do meio, a divisão dos jornais em seções foi substituída por cadernos especializados em assuntos de interesse geral ou específico, sendo cada um desenhado de modo a atrair seu público específico – e conseqüentes verbas publicitárias – e a o mesmo tempo manter a identidade da publicação.

Como acontece em todo periódico impresso, a publicidade é o que sustenta os custos de um jornal diário. Nos jornais, a propaganda é vendida em centímetros por coluna, não importando a forma em que o comprador vai dispor seu anúncio. Por exemplo, se uma agência de propaganda comprar cem centímetros, ela pode dispor essa medida da maneira que quiser, desde que obedeça à colunagem do jornal.

Dispor anúncios e classificados exige alguns cuidados na hora da montagem da página, para não torná-la uma grande salada de letras e imagens, sem uma lógica para direcionar o leitor. A tecnologia tem auxiliado muito os impressores e anunciantes, produzindo até mesmo tintas que exalam odor, por mio de microcápsulas adicionadas à tinta que explodem com o aumento da temperatura.

São muitas as maneiras de dispor os anúncios. A mais interessante em termos de disposição visual separa radicalmente os textos editoriais dos anúncios e classificados: textos em cima e anúncios embaixo. Outra forma clássica de posicionamento de anúncios é a chamada torre, em que os anúncios são dispostos em uma das laterais da página, ímpar ou par, uns sobre os outros, cobrindo toda a extensão das colunas reservadas aos anúncios.

As pirâmides são disposições que ficam em cantos de páginas, partindo dos maiores anúncios nos cantos inferiores e envolvendo-os com anúncios menores em forma de pirâmide. E, por fim, as ilhas que são anúncios de formatos variados dentro dos limites das colunas, normalmente usados como uma forma de merchandising junto a matérias que se relacionam com o público-alvo ou evento.

 

Em Produção Gráfica – arte e técnica da mídia impressa. Antonio Celso Collaro

Person Prentice Hall, São Paulo, 2007.