Aula 6 - Técnica e estética na produção de livros - 02 de abril de 2012

Entre os produtos gráficos, o livro é o que detém o maior cabedal de conhecimentos, a ponto de sua história se confundir com a própria história do pensamento. Responsável pela transmissão de conhecimento, o livro foi, é e será o encarregado de levar às futuras gerações o conhecimento produzido pela espécie humana.

A indústria editorial e a indústria gráfica são as responsáveis pelo desenvolvimento da cultura humana até o estágio em que se encontra hoje. A edição de um livro, por mais simples que seja, envolve aproximadamente 40 profissionais altamente especializados, que, com seu trabalho na cadeia produtiva, transmitem ao leitor o conhecimento acumulado por experiência, teorias, teses ou fatos vividos por um ou mais autores e que, por mais simples que sejam, acrescentam alguma coisa na construção do saber humano.

Aquela atividade artesanal desenvolvida por editores que faziam toda ordem de tarefas da produção de livros, desde a escolha dos títulos até sua impressão e acabamento final, deu vez a uma classe altamente especializada que compõe a indústria editorial moderna. Se os leigos tivessem consciência do trabalho e do número de profissionais envolvidos na elaboração de um livro, provavelmente o cuidado e o respeito pelo produto seria bem maior.

O que é um livro? Definimos livro como todo impresso que, sem ser periódico, reúne em seu conteúdo 48 ou mais páginas impressas presas em um dos lados, fora as capas. As publicações de menos de 48 páginas são chamadas de folhetos, ou opúsculos. Quando uma obra é dividida em duas ou mais partes individualizadas, como em uma enciclopédia, cada unidade é chamada de volume. Esses volumes podem ou não ser compostos por fascículos ou cadernos. Se forem colecionados, podem formar um volume. O número de exemplares impressos, chamamos de tiragem.

O formato mais comum no mercado mundial, por hábito e facilidade de manuseio do leitor, é o vertical, determinado por uma altura maior que a largura. O formato horizontal tem aparecido no mercado como uma alternativa de inovação dos designers. Alguns livros infantis utilizam o recurso de facas especiais em seus formatos, proporcionando leveza em suas formas e evidente poder de atração junto ao público-alvo.

Segundo a Câmara Brasileira do Livro, as obras são divididas em categorias literárias que, normalmente, influenciam o projeto gráfico usado para a transformação do produto literário em algo consumível pelo público leitor.  Entre as mais conhecidas estão os romances, contos, crônicas, poesias, livros infantis e juvenis, teoria e crítica literária, ciências naturais e da saúde, ciências exatas, ciências humanas, tecnologia, informática, economia, administração, negócios, direito, educação, psicologia, comunicação, bibliografias e didáticos.

As capas são as embalagens dos livros e, nessa função, combinam a função de proteção com a de ferramenta de promoção e venda. Na atual conjuntura das livrarias, com suas prateleiras e displays lotados, as capas são os primeiros vendedores que os leitores encontram – e existe uma forte tendência a serem os únicos.

As cores são os elementos mais marcantes de uma capa. É fato comprovado que as pessoas não gravam a tipologia utilizada nem a forma das imagens, mas as cores são inesquecíveis para o cérebro humano. Nem sempre usar uma gama muito variada de cores significa que a apresentação do livro será um sucesso. Muitas vezes capas monocolores ou bicolores podem identificar com mais propriedade o conteúdo da obra. A parte interna da capa é conhecida como contracapa. Havendo ainda a terceira capa (interna), e a quarta capa (parte posterior do livro). Ainda há a lombada, ou dorso, muito importante pois, em muitas prateleiras, pode ser a única coisa que está à mostra.

O livro por dentro – O miolo é a parte interna dos livros, onde está realmente seu conteúdo. É dividido em três segmentos distintos: páginas pré-textuais (página de guarda – quando existe, falso rosto, página de rosto, página de créditos e sumário, prólogo, introdução, prefácio, dedicatória e agradecimentos), texto (o corpo do trabalho em si – da introdução às referências) e páginas pós-textuais.

Falso rosto e página de rosto – o primeiro leva apenas o título, enquanto o segundo leva o nome do autor, o título em destaque, o nome da editora e o ano de publicação. Impressos em páginas ímpar, vem perdendo a rigidez de disposição, tornando-se mais livre e agradável.

Créditos (no verso da página de rosto). Traz a parte legal, com os dados de catalogação pelo órgão responsável (geralmente a Câmara Brasileira do Livro), direitos autorais e outras informações sobre a editora e os detentores dos direitos autorais.

Dedicatória. Em geral colocada em página ímpar, é onde o autor dedica sua obra a uma ou a várias pessoas ou presta uma homenagem a determinada personalidade ou instituição.

Prefácio. Texto que comenta a obra, escrito por um convidado do autor ou da editora. Assim como a apresentação, são páginas peculiares que as editoras procuram conferir uma diagramação diferenciada. Quanto melhor seu tratamento visual, maior a aceitação da obra pelo leitor.

Sumário. Nome dado à lista de títulos e subtítulos com as respectivas páginas em que figuram no texto principal. O sumário aparece no início do livro e não deve ser confundido com o índice, que aparece sempre no final da obra.

Introdução. Alguns livros incluem um texto que comenta o tema do livro, sem ainda ser parte dele. Nesse caso, a introdução ainda é um item pré-textual. Caso a introdução já inicie o conteúdo do livro deve ser considerada texto e ser numerada em algarismos arábicos, com o restante do miolo.

Texto – Onde se procura dar à diagramação uma identidade personalizada. É importante induzir e estimular a leitura, lançando mão de conhecimento de entrelinhamento, corpo, espaçamento e tipologia, fazendo o que se chama de texto “corrido”.

Classificação dos livros – Os livros são classificados de acordo com o que é oferecido aos leitores em seus layouts. Os italianos usam o volume de brancos e grises para avaliar e classificar suas obras em relação a seu comportamento no mercado. A proporção com que esses elementos aprece determina se estamos diante de uma edição econômica, comum ou de luxo.

Podemos dizer que uma edição é econômica quando a área de mancha ocupa 75% da área do formato do papel e os outros 25% restantes ficam reservados aos brancos da página, incluindo margens, entrelinhamento etc. Considera-se uma edição comum quando existe um equilíbrio entre a mancha que compõe o layout e os brancos destinados ao arejamento das páginas. Já as obras de luxo contemplam no layout 25% para a área da mancha e 75% para elementos de arejamento.

Revisão – uma das etapas mais importantes do processo de produção de uma peça editorial. O designer precisa conhecer os procedimentos necessários ao bom andamento do trabalho. Algumas regras simples tornam esta etapa do trabalho mais rápida e melhor.