Aula 8 - Os sistemas de impressão - 23 de abril de 2012

 

 

O tema “sistema de impressão” é apaixonante, pois remete diretamente à evolução da humanidade. Estudando a maneira como evoluíram até os sistemas digitais atuais, entendemos como a criatividade humana construiu mecanismos para atender à demanda do conhecimento.

Desde nossos ancestrais mais remotos, sempre tivemos uma preocupação muito grande em registrar nossos feitos e anseios. No início, isso era feito por meio de desenhos, depois por meio de ícones que os sinbolizavam. Os desenhos rupestres são provas incontestáveis disso. O mundo começou a transformar-se no que é hoje quando passamos a nos preocupar em tornar o conhecimento acessível ao maior número de pessoas possível.

A princípio, para reproduzir um texto ou uma imagem, era necessário copiá-la manualmente, de modo que cada cópia era na verdade um original. Para tornar esse processo mais rápido, começou-se a buscar formas de reproduzir os originais.

Quando um projeto gráfico deve ser impresso em uma impressora comercial, será muito importante definir, antes mesmo do início do projeto enquanto arquivo digital, qual será o sistema de impressão e o tipo de papel em que esse projeto será impresso.

Não só por questões de orçamentos, mas também por questões intimamente ligadas à estrutura interna do arquivo. Para discutir estas questões procure a gráfica de sua preferência e exponha as características principais do projeto (tiragem, tamanho final, número de cores etc.), para que ela possa auxiliá-lo numa escolha mais adequada do sistema de impressão e tipo de papel.

Um dos primeiros métodos de reprodução foi a xilografia – xilo = madeira + glifo (marcar) + ia (ação) -, sistema que consiste em desenhar a imagem desejada invertida sobre uma prancha lisa de madeira e depois escavar a madeira, retirando tudo o que não faz parte da área desenhada, de modo a deixar em relevo a imagem para a reprodução gráfica.

Feita a prancha, o artesão coloca-a sobre um plano e, com um rolo, passa sobre ela a tinta, que se deposita somente nos grafismos em relevo; na sequência, coloca um suporte (papel) sobre a prancha “entintada” e pressiona-o, fazendo com que a imagem seja reproduzida no suporte.

No Renascimento, em Mainz, na Alemanha, Johannes Gutenberg teve a ideia de esculpir letras separadas, que chamou de tipos móveis, para que pudessem Sr utilizadas e reutilizadas em outras composições. Acabou por impor sua obra ao mundo, tendo produzido em aproximadamente 1455 a primeira impressão completa da Bíblia.

A invenção de Gutenberg gerou o que conhecemos hoje por tipografia. Respeitando o princípio básico de reprodução do conteúdo em alto-relevo, logo se desenvolveram novas máquinas tipográficas, à medida que a sociedade em evolução exigia novas e mais rápidas formas de imprimir e divulgar o pensamento. No entanto, novos conceitos de reprodução gráfica, que começaram a ser gerados no século XVIII, mas amadureceram durante o século XX, acabaram relegando a tipografia à história e dando lugar a processos mais modernos e menos onerosos de reprodução gráfica.

O sistema off-set funciona com matrizes produzidas com as mesmas características da litografia (litho = pedra + glifo (marcar) + ação), usando chapas de alumínio como meio de gravação e transferência de imagem. O sistema off-set é hoje o mais usados no mundo na reprodução gráfica de impressos. Tanto para embalagens como para impressos publicitários e editoriais, é uma excelente opção por permitir flexibilidade de imagens, agilidade e qualidade final dos impressos. O sistema, hoje, é todo informatizado, funcionando em rotativas que permite a utilização em pequena escala, assim como em escala industrial.

Uma alternativa é a gravura em metal, um método antigo de obtenção e reprodução de imagem em série. Outro é o sistema rotográfico, conhecido como encavográfico, por ser estruturalmente baseado em baixo-relevo, utiliza praticamente o mesmo sistema de gravura em metal.

A impressão serigráfica é um sistema milenar, pois japoneses e chineses já imprimiam seus tecidos por processo permeográfico. Uma excelente alternativa para impressos com matéria-prima de estruturas rígidas e flexíveis dos mais variados materiais. Baseado na permeabilidade, o processo consiste em vedar as tramas de uma rede de nylon, onde não queremos imprimir, e deixar passar tinta passar nas áreas que queremos imprimir.

O grande mérito desse sistema é imprimir sobre suportes irregulares, rígidos ou flexíveis. Formas rígidas, como vidro e acrílico, ou maleáveis, como tecido, plástico, adesivos e couro, são matérias primas que o silkscreen, como também é conhecido, não rejeita e imprime com muita propriedade. A velocidade ainda é um entrave no entanto. Apesar de já existirem máquinas automáticas, a produção da serigrafia ainda é lenta para os parâmetros do mercado atual.

Impressão digital - Dispensa o uso de fotolitos e é feita em copiadoras coloridas (para pequenas tiragens até 200 cópias), plotters (para impressão de grandes formatos), impressoras de provas digitais e também as chamadas de impressoras digitais que imprimem grandes tiragens sem fotolitos. Ao longo do tempo a impressão digital foi ganhando espaço no mercado gráfico, conseguindo a mesma qualidade e durabilidade das impressões "off-set" e permitindo praticamente todos os acabamentos e encadernações. Os desafios da impressão digital estão focados em reduzir os custos para a popularização de seu uso. Algumas gráficas de vanguarda aprimoraram o seu uso com a técnica de impressão híbrida, parte do material é produzido no tradicional off-set e outra em processo de impressão digital, permitindo um impresso de altíssima qualidade e aplicações de personalizações, tanto de texto quanto imagens. Os altos investimentos feitos por empresas como Xerox, Canon, HP, Kodak, Konica Minolta em tecnologias e processos de impressão digital sob demanda faz com que sistema de impressão digital cresça em torno de 20% acima do que a impressão gráfica convencional offset no mercado.

Pré-Impressão é todo o processo envolvido antes da impressão de um produto gráfico, consiste na adequação do arquivo digital para a impressão e na geração de fotolito, através de Imagesetter ou diretamente de matrizes para a impressão.

Um servidor de impressão é um componente de um sistema computacional destinado a controlar os comandos e tarefas de impressão enviadas para uma impressora (de rede) por diferentes aplicativos ou estações de trabalho que competem entre si pelo recurso. Pode ser um equipamento específico (hardware) ou um artifício de programação (software) que usa os recursos disponíveis no exercício dessa função. Sua principal importância é poder gerar um local centralizado na rede para impressão de arquivos, gerando controle e definindo prioridade de serviços. Um servidor de impressão é recomendado para grandes redes, com mais de 10 computadores compartilhando a mesma impressora. Para redes menores utilizamos o compartilhamento de impressora gerenciado pelo Sistema Operacional.

 

Em Produção Gráfica – arte e técnica da mídia impressa. Antonio Celso Collaro

Person Prentice Hall, São Paulo, 2007. E Wikipédia