Autoridade e respeito


Não é uma questão de discutir autoritarismo. Nada a ver. A discussão que se precisa fazer é sobre autoridade e respeito. Uma dúvida é fundamental: o que se fez com as instituições? Sim, porque é nelas que se está falhando. E feio, porque não se conseguiu evoluir, pelo contrário, regredimos. Quais são estas instituições? Podem ser citadas algumas: o sistema religioso, o sistema educacional, o sistema militar.

O “abrandamento” do que normalizava este convívio transformou-se não num entendimento melhor, mas na insegurança das relações pessoais e de grupos.

As igrejas cristãs organizadas penam porque defendem valores que, na prática, acabam sendo relativizados. Seus discursos, não raras vezes, são ouvidos nos espaços de celebração e não encontram ressonância na vida do dia a dia.

O que se passa no sistema educacional não é muito diferente. Acumulam as reclamações de educadores que não conseguem, em muitos momentos, a atenção dos alunos e o respeito por aquilo que representam. Não são desrespeitosos nas relações pessoais, mas há um abismo entre o que é oferecido e o esperado pelos alunos. Pior ainda, quando percebem que, mesmo tendo conteúdos adequados, não conseguem lugar num mercado já saturado em diversas profissões.

Embora o sistema militar não seja tão transparente neste tipo de discussão, o que veio ao conhecimento público nos eventos recentes em aeroportos brasileiros, mostrou que, mesmo aí, existem problemas. E problemas sérios. A impressão que se tem é de que os controladores de vôos fazem parte da ponta de um iceberg. O governo mostrou-se susceptível às mais diversas pressões e transformou em caos o que seria, apenas, o exercício de autoridade. Neste caso, a prisão dos que colocavam em perigo o tráfego aéreo brasileiro não era uma questão de autoritarismo, mas de cumprimento da lei. A cada vez que se deixa de cumprir uma norma – não pela norma em si, mas por aquilo que ela representa nas relações sociais – fragilizam-se as relações e as instituições.

Precisam-se redescobrir valores e um deles é o da autoridade, que se estabelece não apenas por quem “impõe autoridade”, mas que, por experiência, auxilia na construção e vivência de uma carreira, por exemplo. É omissão dizer que “cada um pode fazer o que quiser”, pois há um ditado mais sensato: “a minha liberdade vai até onde inicia a liberdade do outro”. O problema é que se precisa de quem zele para que este respeito aconteça.