Brincando com os "anjos"


O mesmo canal de televisão que, num domingo pela manhã, mostrou a importância da oração como elemento agregador numa escola rural para portadores de deficiência física e mental, é capaz, em seu horário nobre, de apresentar uma novela onde o papel dos “anjos” é duvidoso, se não for pernicioso. O primeiro caso foi tão marcante que, ao contar, a diretora se emocionou e emocionou àqueles que assistiam à matéria, encantados pelo jeito solidário como professores e comunidade se mobilizaram para buscar, nos mais distantes lares da região, crianças e jovens que não tinham nenhuma perspectiva na educação convencional.

No segundo caso, uma novela do horário nobre apresenta três “anjos” que vieram à Terra tendo a missão de proteger, mas com mais curiosidade erótica do que interesse em cuidar de alguém. Os autores têm dito que suas histórias “retratam a realidade vivida pela sociedade”. Em aula e debates onde o tema aparece desafio as pessoas a olharem à sua volta – onde moram, trabalham, estudam – e apontar esta erotização exacerbada na vida real.

A maior preocupação é com as intenções que não são reveladas: tratar de forma humorística elementos de fé é um caminho fácil para o deboche e o desprezo. Muitos são aqueles que assistem às novelas de forma inocente, sem olhar crítico, absorvendo a ficção como se realidade fosse. Em especial, as crianças, que aprenderam a rezar ao seu Anjo da Guarda, pedindo proteção. Que confusão se arma em suas cabeças ao pensarem: “são estes os anjos?”

Tenho profundo respeito pela fé alheia e exijo igual respeito pela minha. Na tradição cristã, os Anjos são mensageiros e protetores: basta lembrar o anúncio de Gabriel a Maria de que seria a mãe de Jesus; e o Anjo comunicando às mulheres a Sua ressurreição, pois o corpo já não estava mais ali.

Estas liberalidades causam mais problemas do que se pode imaginar. Ao minar as bases dos preceitos religiosos, estão fazendo com que crianças e jovens, especialmente, percam a noção de valores e também de suas referências. A quem isto interessa, pois o que está acontecendo é uma doutrinação em espaços onde a audiência tem suas defesas baixas e sujeita a, literalmente, engolir tudo o que é proposto!?

Nossas lideranças, especialmente das igrejas cristãs, não podem se omitir. Permitir esta “brincadeira” com valores da fé é entregar, gradativamente, o controle da sociedade a grupos de interesses escusos que estão apostando na inércia para o gradativo desaparecimento de parâmetros éticos, morais e religiosos.