Caçando pelo voto


No momento em que, tudo indica, nosso Congresso Nacional e o Poder Executivo estão prontos para iniciar um processo de depuração de seus quadros, é preciso que o cidadão fique atento. Não se deixe iludir pelos discursos bonitos e fáceis, eles são, na maior parte das vezes, falsos: o antepasto da pizza.

Ouvi de alguém – e, naquele momento, achei radical demais - que se a Câmara dos Deputados näo fizer uma limpeza geral, devia se deflagrar uma campanha para que nenhum dos deputados, que hoje estão lá, fosse reeleito. Pois se näo pecaram por ação, ao menos pecaram por omissão.

Infelizmente, é uma verdade. Muitos dos nossos melhores quadros somente têm coragem de se manifestar quando chegam a suas bases eleitorais, longe de Brasília. Quando voltam à capital federal, desaparecem nos emaranhados dos corredores do poder. Discursos inflamados aqui, silêncio obsequioso lá.

Tenho que concordar que, acontecendo conchavos do tipo: "näo voto contra os teus, se não votares contra os meus", então será necessário que fale mais alta a indignação popular e se proponha a näo reeleição daqueles que hoje compõem aquela casa legislativa.

Entenda-se: näo absolvo nem esqueço que o poder executivo também tem os seus pecados e que servidores devem ser punidos quando usam mal os recursos públicos. Mas, para este poder, há uma cassação muito pior: a do voto, nas próximas eleições. Somos nós, brasileiros, quem decidiremos pelo encerramento de um mandato, se o presidente não for digno da função para a qual mais da metade da população brasileira o escolheu.

Este é um momento em que deve falar mais alta a sensibilidade da população para perceber que, no processo democrático, podemos errar ou acertar. O que não se pode é omitir de julgar aqueles que foram eleitos.

Dizer que tudo isto é uma “sujeira só” e que não vale a pena nem discutir é um modo covarde de entregar os nossos destinos e os destinos de nossos filhos e netos à mercê de políticos profissionais, aqueles que estão sugando recursos que faltam na mesa do trabalhador brasileiro.

É preciso que tenhamos claro que mandatos não são empregos, são instâncias de prestação de serviços. E o “patrão”, neste caso, é o povo. Ou seja, somos todos nós.