Caminhos e esperança


É fundamental que se coloque como princípio: a violência, em qualquer situação, é um desequilíbrio, algo que faz valer o argumento do mais forte, em detrimento dos direitos do mais fraco.

Impetrada contra uma criança ou um jovem é um tipo de doença, que se não for física, ao menos é psicológica e social. E tem que ser tratada. E aí não vale o que se ouve seguidamente: a segurança pública não entra em briga de família. Não existe esta discriminação - violência é violência em qualquer situação e deve merecer a maior atenção possível por parte daqueles que têm a responsabilidade de combatê-la.

O que vai acabar desembocando no processo de ensino. Precisamos discutir o que está acontecendo em nossas escolas públicas onde a qualidade do ensino caiu a olhos vistos; a motivação é muito pouca, ou nenhuma; e os professores, em muitos casos, sentem-se reféns de situações que vão das más condições de infra-estrutura, passando por segurança e investimentos pedagógicos.

Como se isto já não bastasse, ainda há um fio invisível que vem de um contexto onde o não dito induz a que, na falta de que a família e as demais instituições sociais façam a sua parte, sobre para a escola o papel de encarregado do “ajuste social”.

De que jeito? Professores contam que já é comum serem ameaçados por crianças e adolescentes que, se não tiverem atendidos seus pedidos, farão queixas ao Juizado da Infância e da Adolescência: “tenho os meus direitos!”

Onde erramos? Porque não somos capazes de alcançar para esta população as condições adequadas para que a correção se estabeleça por raciocínios lógicos e adequados e que não se precise chegar a pensar em algum tipo de coação?

O que está acontecendo é que perdemos parâmetros e nossas crianças estão saindo da influência da família muito cedo. A escola não tem condições de oferecer guarida às suas necessidades de compreensão do mundo. Sobram as ruas, onde, cada vez mais, encontramos crianças e jovens de todas as categorias sociais.

Porque o chamado “aconchego do lar”, em muitos casos, não é suficiente para cativá-los? Porque os espaços da escola estão perdendo para os atrativos das ruas?

Não há nada mais triste do que o olhar sem vida de uma criança ou de um jovem. Ajudá-lo a encontrar seu rumo não é nenhuma tarefa fácil. Mas quem foi que disse que educar é apenas um passatempo? Não é. Especialmente hoje, é um trabalho árduo, preenchido de muita luz própria, que auxilie a visualizar e indicar caminhos e esperanças.