Cartões corporativos


A discussão desta semana é a respeito do uso por parte de funcionários públicos dos cartões corporativos, aqueles que, inicialmente, serviram à iniciativa privada, buscando facilitar a atuação de seus empregados. Na verdade, ninguém está questionando o seu uso como instrumento que facilita o processo administrativo, mas a fiscalização exercida sobre eles.

É sabido que na iniciativa privada seu controle é feito com absoluto rigor, o que evita desvios (dizem que é o olho do dono que engorda a boiada!), pois os administradores cobram o seu uso adequado. No entanto, o mesmo não acontece no setor público. E não adianta tapar o sol com a peneira: a máquina pública que temos, especialmente a federal, está viciada há muito tempo e os desvios acontecem por falta de fiscalização.

Vamos falar a sério: um senador disse que, se for o caso, podem investigar as contas até mesmo de Cabral. E porque não? Não é uma questão de responsabilizar apenas o governo Lula (e já se sabe que ele é responsável), mas todos aqueles que desviaram recursos ou gastaram mal, em qualquer nível. Afinal, (estou sendo repetitivo) o dinheiro é do contribuinte (nosso, portanto) e precisa ser muito bem investido.

Embora ministros que são considerados sérios venham a público defender o uso dos cartões e os gastos feitos, há algumas informações que põem uma pulga atrás da orelha: porque grande parte deles encontra-se em mãos de pessoas que ocupam cargos de confiança? Porque um bom número de saques se dá em dinheiro vivo, o que dificulta o rastreamento dos gastos?

Infelizmente, por uma “pseuda segurança nacional”, alguns dados foram retirados de páginas da internet que eram de democrático acesso para bom número de contribuintes. Esta é uma demonstração de que onde há fumaça, há fogo. Porque esconder os gastos? Por mais estranhos que sejam - se forem justificados - também terão que ser aceitos. No entanto, ocultos não protegem a quem efetivamente deveriam proteger: nós, os contribuintes, com o direito de saber o que nossos “empregados” (do presidente da república ao faxineiro de qualquer repartição) fazem.

Temos um país rico em recursos naturais e financeiros, mas, infelizmente, as opções políticas de nossos administradores fazem com que tenhamos parcelas da população vivendo na miséria e na pobreza. Até porque, comparado com os cartões corporativos, a “bolsa família”, por exemplo, não passa de uma triste esmola.