O cheiro da terra


O cheiro da terra

Libertou-se com os primeiros

Pingos da chuva.

 

Aos poucos, em seu ritmo dolente,

Como quem não tem pressa alguma,

As árvores foram sendo lavadas

E recuperando as cores

Até então encobertas pela poeira.

 

A vontade era de sair andando,

Percorrer caminhos não marcados

Na grama molhada.

 

E deixar que meu rosto

Pudesse, finalmente,

Dizer que sente saudades

Do tempo em que dizer

Era apenas dizer

E chorar era misturar

As lágrimas com os

Pingos da chuva que

Rolam em direção ao chão.