Cidadão e "cidadão"


Pessoas que precisaram deslocar-se no final de semana utilizando vôos comerciais voltaram a ter problemas: a “operação padrão” - que nada mais é do que uma greve disfarçada - criou diversos transtornos, como os atrasos em chegadas e conexões. Advogados já começam a juntar elementos que auxiliem em suas ações, esperando intimar as empresas, órgãos reguladores e o governo para que aqueles que foram prejudicados possam ter ressarcidos seus prejuízos.

Também no final de semana, cidades de médio e grande porte, como foi o caso de Pelotas, na região sul, viveram tristes momentos na história do atendimento público de saúde. Muitas pessoas aguardando atendimento, ou, quando passavam pela triagem, esperando em macas ou no chão para uma consulta ou outros procedimentos.

Neste caso, infelizmente, não vi nenhuma manifestação que mostrasse a preocupação em acionar o governo – a saúde é um bem e cabe ao poder executivo estabelecer as condições básicas para que possa ser oferecida – a fim de ressarcir aqueles que também foram prejudicados já que deveriam ter um atendimento eficiente e eficaz que, na prática, não aconteceu.

Em ambos os casos, os direitos do cidadão foram desconsiderados: aquele que perdeu um vôo porque pagou e devia ser-lhe assegurado fazê-lo, já que exercendo seu direito de ir e vir; mas também aquele que tendo a própria saúde, ou de algum familiar, em perigo, correu risco de vida por um atendimento demorado, tendo sido dificultada a preservação da integridade física.

O problema é que temos cidadãos e “cidadãos”. De um lado, estão aqueles que podem utilizar-se das mais modernas tecnologias, como é o caso de voar, e de outro aqueles que lutam, apenas, para sobreviver. No primeiro, a bênção da lei; no segundo a espera de migalhas que possam atender a suas necessidades mais elementares.

Ao que tudo indica, não há solução que venha, em curto ou médio prazo, dos poderes executivo e legislativo. Então é hora de apelar para a Justiça.

Tudo o que se pede é que ela retire a venda de seus olhos e seja justa para todos os lados, porque quem não pode ir de avião, vai de ônibus, barco, trem, mas vai. No entanto, quem procura um Pronto Socorro o faz porque é a última instância.

A operação padrão começou quando os controladores foram pressionados em função de um acidente aéreo com mais de 150 pessoas mortas. Será necessário que o mesmo aconteça em massa nos postos de pronto-socorro para que alguma medida efetiva seja tomada? Rezemos para que não.