Consciência e exemplo


Fico preocupado com o número de campanhas que são lançadas buscando a conscientização popular. Creio que todas têm seus aspectos positivos, em sim, no entanto, incomoda é quando, muitas vezes, crianças e jovens ouvem bons e sábios conselhos por parte de instrutores e deparam-se com maus exemplos nos locais onde moram, especialmente aqueles que vêm de pessoas próximas, como pais e irmãos.

Nestes casos, há um choque que tende a diluir a força da mensagem, relativizando-a, quando não a apagando pura e simplesmente. O trânsito é um dos tristes exemplos: entre a teoria bem exposta em sala de aula por profissionais adequadamente preparados e o confronto com adultos imprudentes e agressivos, infelizmente, a tendência é que acabe valendo a prática como parâmetro de aprendizado. O que demonstra que as campanhas de conscientização não são suficientes e precisam vir acompanhadas de normas rígidas (dizem que já as temos), aplicadas com rigor (isto, infelizmente, não acontece), com penalizações exemplares que afetem o bolso do cidadão e restrições que, nos casos mais graves, atinjam a própria liberdade.

Os meios de comunicação são instrumentos poderosos para conscientizar. Mas, às belas mensagens com excesso de efeitos, devem se juntar outras que mostrem a perda de uma vida, a dor dos familiares nesta hora, alguém pagando financeiramente pelo mal que causou e, até, indo para a prisão por crime praticado no trânsito. Infelizmente, as imagens dos noticiários nos dois últimos feriadões beiram ao deboche: motoristas descumprindo normas básicas de tráfego, alcoolizados e dando explicações, quando não deixando delegacias caminhando calmamente, em zig-zag, enquanto seu carro era apreendido.

Infelizmente, relativizamos de tal forma as normas de convivência que é fácil ouvir expressões como: “coitado, foi sem querer!”, “mas ele é tão jovem!”, ou “ele apenas estava festejando e se passou um pouco!” A sensação de que “isto nunca vai acontecer conosco” e que as desgraças passarão ao largo é a mesma que admite fechar os olhos para o erro cometido por alguém de nossa família ou de relação muito próxima. Sinto muito ter que dizer o óbvio: embora possa doer, a lei não pode valer para alguns, tem que valer para todos. Precisamos nos dar conta do mal que causamos ao fazer as crianças ouvirem o que é certo em qualquer área, especialmente no trânsito e, depois, testemunharem os pequenos “jeitinhos” - deslizes - feitos na certeza da impunidade.