Uma outra contabilidade


 

Esta foi contada num dos cursos de Agentes de Pastoral da Comunicação. Não sei o autor.

Conta-se que uma senhora, a certa altura da vida, resolveu fazer as pazes com Deus. E um trato: iria à Missa todos os dias, às 7 da manhã. Em troca, entraria na Casa do Pai.

Dito e feito. Só que, lá pelas tantas, deu-se conta de que não estava contabilizando a balança a seu favor. Era preciso uma forma de medir o esforço gasto naquele investimento. Pensou um pouco e chegou a uma conclusão: um recipiente receberia, todos os dias, um grão de milho, como prova de que ela estava cumprindo com sua parte.

Acontece que, um dia, quando atravessava a rua, para ir à igreja, viu que uma senhora distraída passou na frente. Não teve tempo nem de gritar e a outra foi atropelada. Depois da batida, o motorista fugiu. A nossa religiosa pensou: mas que contratempo. Mas paciência, vamos lá. Conseguiu um outro carro, foi para o pronto socorro, onde entregou a paciente para os cuidados médicos.

Deu-se conta de que podia voltar ainda a tempo de participar de metade da Missa. Foi o que fez. Só que, ao chegar em casa, deparou-se com um dilema contabilístico: e agora? Colocar um grão inteiro não condizia com a verdade, afinal somente estivera em meia Missa. Não colocar nada era desabonador. Resolveu pela espada de Salomão. Partiu um grão pelo meio e colocou no recipiente.

Algum tempo depois, veio a falecer. Antes pediu que fosse enterrada com ela o recipiente com os grãos. Chegou às portas do Céus, onde São Pedro dava o encaminhamento aos novos moradores. Muito contente, entregou a sua "fortuna". São Pedro abriu, mostrou-lhe um sorriso e despejou o conteúdo sobre um balcão. Ali estava a metade de um grão de milho. Foi o que lhe deu acesso ao Reino dos Céus.