Um copo de água


O pedido pode parecer corriqueiro: chegar ao bar da Escola e pedir para dona Noeli um copo de água. Um líquido tão necessário – e que muitas vezes utilizamos sem nos darmos conta - está em debate, hoje, no mundo inteiro.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil propõe, para 2004, que a igreja e a sociedade, no tempo que prepara a Páscoa, pensem sobre o tema Fraternidade e Água. E o desafio, que está no seu lema: Água, fonte da vida.

Muitas autoridades estão sugerindo que a discussão a respeito da utilização da água doce se dê no mesmo nível em que se trata o petróleo. Acontece que, em pouco tempo, assim como o combustível, o precioso líquido que se encontra em nossas bacias ou sob o nosso solo, será disputada como um dos recursos naturais de maior valor. Inclusive, comercialmente.

Levando em conta que já existe a falta de água e o seu racionamento em grande parte do globo, impressiona que ainda desperdicemos o que, para nós, ainda existe em abundância.

Os países mais ricos querem que os mananciais de água sejam colocados “solidariamente” à disposição da comunidade internacional. Vejam bem: sem nenhum custo para eles.

É por este motivo que muitos reclamam e pedem o mesmo nível de tratamento: o petróleo é vendido caro? Que também se venda cara a água. Não faltarão aqueles que dirão que é injusto um tratamento destes. Afinal, a água é necessária para a sobrevivência física.

Em compensação, o petróleo acabou acarretando o desenvolvimento para aqueles mesmos que fazem pregação de valores que não têm quando os do terceiro, quarto e quinto mundo tentam sair do fundo do poço onde se encontram.

Então, é tempo de pensarmos com muito carinho sobre a água. Aqui em nossa região, somos privilegiados. Nossos mananciais são quase infinitos. A única coisa que pode acabar com eles é o próprio descaso do homem, com uma das maiores pragas da humanidade: a poluição