O sentido do cotidiano


Um dia qualquer em minha vida.

Percorro as ruas, vejo as pessoas,

e tenho que sorrir.

Elas fazem sempre a mesma coisa.

E, ainda bem, repetem os mesmos gestos.

 

É como num ritual.

Faz-se, repetidamente,

como se fosse o balbucio de uma criança.

Depois de repetir muitas vezes,

então se incorpora ao dia-a-dia.

 

Onde fica o sentido de viver,

se não há pessoas passando pelas ruas?

Para que sair às ruas,

se não vou encontrar gente que vai e que vem?

 

Não, não há sentido.

 

O sentido de se sentir na multidão

é que, a qualquer momento,

um rosto vai ser conhecido.

E se encontrar um rosto conhecido,

todos os outros adquirem sentido,

são o contorno das raízes que se

solidificam na junção entre

a rua, o ser andante e a eternidade.