Dádiva e desperdício


O Rio Grande do Sul terá, a partir deste governo, uma Secretaria Estadual de Irrigação. A idéia é muito interessante, pois trata de um bem oferecido pela natureza que somente valorizamos quando falta: a água, especialmente para a atividade agrícola.

É necessário incentivar este tipo de ação, mesmo que não seja o suficiente. Noticiários recentes têm colocado em evidência problemas que estão se acumulando, em especial no que diz respeito ao desperdício - seja por jogar fora a água tratada ou por inviabilizar a utilização futura deste bem pelos altos níveis de poluição.

Um sinal vermelho foi aceso quando se tornou público o que está acontecendo com o Rio dos Sinos e os outros mananciais. A falta de uma cultura preservacionista – não somente da iniciativa privada, mas também do poder público – transformou em rio morto o que era um importante abastecedor daquela região, além de fornecer renda para pequenos pescadores que alimentavam suas famílias e os mercados locais com o produto que tiravam do rio.

As imagens são terríveis e vemos, enfim, as autoridades públicas tomando medidas para processar aqueles que estavam jogando detritos no seu leito. Mas quem vai fiscalizar o fiscal? Sim, porque não podem ser condenados apenas os que poluíram, mas também aqueles que não impediram a poluição e eram responsáveis por ações que deveriam ter preservado um precioso manancial.

Dito de outra forma: concordo com que sejam multados os poluidores – a parte mais sensível do corpo humano continua sendo o bolso! – mas não bastam desculpas para aqueles que se omitiram, sendo pagos pelos nossos impostos para – em tese - impedirem que tenhamos nossas fontes poluídas.

Infelizmente, ainda temos pessoas que dizem não se interessarem por aquilo que vai acontecer daqui há 30, 40 anos, porque não estarão mais aqui. Pena, porque esquecem de que seus filhos, netos, sobrinhos vão viver num mundo pobre de recursos naturais.

Nossa geração não passará impune por este momento da história. Somos responsáveis por um dos mais cruéis ataques ao meio-ambiente, mas também temos que cobrar e responsabilizar o setor público que não pode dar apenas desculpas, tem que agir.

Não eram alarmistas os que procuravam abrir nossos olhos para a necessidade de preservar a natureza. Talvez não consigamos salvar e recuperar tudo o que foi devastado, mas que ainda há muito que preservar, com certeza, há. E esta pode ser a melhor herança que deixaremos para a posteridade.