Das catacumbas ao século XXI


A expressão se tornou chavão, mas é verdadeira: “Páscoa é tempo de reflexão”. Penso nisto quando a Igreja Católica se vê envolvida em problemas, ao mesmo tempo em que outras Igrejas avançam ocupando espaços que eram seus. Onde errou? O que deixou de fazer? O que poderia ter feito diferente? Nas minhas andanças, percebi que as grandes lideranças católicas não são mais as que têm o melhor discurso, mas as que dão o melhor exemplo. Elas não estão preocupadas com isto, mas em viver a sua religiosidade na simplicidade de viver bem a própria vida: as maiores dificuldades sociais iniciam porque deixamos de cuidar da família e da nossa vizinhança, por exemplo.

A Igreja já não olha com carinho para espaços particulares e especiais: talvez não tenhamos remédio para todos os problemas da família, mas um bálsamo que auxilie a diminuir a dor, através do atendimento pessoal. Talvez não consigamos mudar as estruturas, mas melhorar os relacionamentos dos grupos e incentivá-los a viver melhor.

A Igreja, infelizmente, há muito tempo deixou as catacumbas onde havia o autêntico espírito de comunidade - na solidariedade e na sobrevivência. Hoje, com o passar da História, agregamos estruturas que tornaram “o custo Igreja” muito alto. Não podemos mais investir apenas naquilo que seria do anúncio e do testemunho do Evangelho, mas dispersamos nossos esforços em outras coisas que deveriam ser da sociedade, com o espírito do Evangelho: educação, comunicação, saúde, atendimento social etc.

O tempo de Páscoa e da ressurreição deve fazer nossos olhos se voltarem para os únicos olhos que dão sentido à nossa fé: os de Jesus Cristo, que na serenidade de quem sabe que nos espera desde a Eternidade, brinca com as nossas preocupações rotineiras que nos tiram da busca do essencial: viver plenamente a Sua mensagem. Pode-se voltar a viver coisas simples que Ele próprio viveu, ao caminhar com os discípulos e formar homens que saíram da brutalidade para a contemplação. Se formos capazes, esta será a esperança plantada de uma nova Páscoa, já não a da ressurreição de Jesus, mas a nossa, num novo convívio, com novas esperanças, menos preocupações e mais tempo para “gastar” com os outros. Então, valerá a pena repetir: “Feliz Ressurreição!!!”