Deixamos marcas


Foi o Gustavo quem me passou o arquivo. Como a maior parte do material que recebo, tive vontade de, apenas, apagar. Mas a curiosidade venceu. Ainda bem. É uma das mais belas mensagens que já recebi.

Paul foi criado numa cidade do interior. Ali presenciou a chegada do telefone e, pequeno ainda, tinha a impressão de que o nome da pessoa que ficava do outro lado era "Uma informação, por favor," e não havia nada que não soubesse. Um dia bateu em um dedo com o martelo. Não havendo ninguém em casa, não adiantava chorar. Pegou uma cadeira, colocou junto à mesa e girou a manivela do telefone.  Dois ou três cliques depois, uma voz suave e nítida ao seu ouvido: "Informações”.

O que segue, é o melhor da história: "Eu machuquei meu dedo...", disse, e as lágrimas vieram facilmente, agora que tinha audiência. "A sua mãe não está em casa?", ela perguntou. - "Não tem ninguém aqui...", soluçava. "Está sangrando?" - "Não", respondeu. "Eu machuquei o dedo com o martelo, mas tá doendo..." "Você consegue abrir o congelador?" Respondeu que sim.

Foi o início de uma série de orientações que passou, até, por dúvidas de geografia, ajudou com os exercícios de matemática e ensinou que o pequeno esquilo que trouxe do bosque deveria comer nozes e frutinhas.

Um dia, Petey, o canário, morreu.  Ligou para a telefonista e contou o ocorrido. O garoto só ficou consolado quando a voz lhe disse que existiam outros lugares onde se pode cantar depois de morrer.

Quando o garoto tinha nove anos sua família se mudou e ele sentiu muita falta da voz amiga. Muito tempo depois, passando pela cidade, Paul resolveu ligar para o serviço de atendimento telefônico. Como num milagre, ouviu a mesma voz doce e clara que conhecia tão bem, dizendo: "Informações." Ele não tinha planejado isso e perguntou: "Você sabe como se escreve 'exceção'?" Houve uma longa pausa. Então, veio uma resposta suave: "Eu acho que o seu dedo já melhorou, Paul." Teve que rir. "Então, é você mesma! Você não imagina como era importante para mim naquele tempo." "Eu imagino", ela disse. "E você não sabe o quanto significavam para mim aquelas ligações. Eu não tenho filhos e ficava esperando todos os dias que você ligasse."

Certo de que retornaria à cidade, marcou um encontro. "É claro!", ela respondeu. "Venha até aqui e chame a  Sally.“ Três meses depois voltou à cidade. Quando ligou, uma voz diferente respondeu: "Informações." Pediu para chamar a Sally. "Você é amigo dela?", a voz perguntou. "Sou, um velho amigo. O meu nome é Paul." "Eu sinto muito, mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio período porque estava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco semanas.“ Antes que pudesse desligar, a voz perguntou: "Espere um pouco. Você disse que o seu nome é Paul?” "Sim.“ "A Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardar caso você ligasse."

A mensagem dizia: "Diga a ele que eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantar também." Tinha entendido a mensagem: “Nunca subestime a “marca” que você deixa nas pessoas!”

Autor desconhecido