Depois que os turistas forem embora II


No ano passado, também depois da Fenadoce, escrevi um artigo a respeito da necessidade de que “lavássemos nossa roupa suja” depois que os turistas fossem embora. A alusão referia-se a um caso passado na serra, quando um município que dá exemplo de organização, teve seus cidadãos optando por não receber água em casa para que a rede hoteleira e os pontos de turismo não fossem afetados.

Infelizmente, o que tem acontecido aqui, não se passa da mesma forma. Qualquer detalhe é suficiente para que se “denuncie” em destaque e com grande repercussão.

Só que desta vez, a coisa foi longe demais. Utilizando-se de um dos elementos mais impressionantes da comunicação informal – o trágico fofoquismo de ocasião - a cidade foi tomada pela “notícia” de que uma vidente havia previsto uma tragédia para a nossa Festa do Doce. Como para isto é necessário incrementar com um certo requinte, anunciava-se que faltariam caixões para o funeral de todos os atingidos.

Claro que isto acabou repercutindo no evento. Apesar de seus organizadores buscarem o desmentido, assim como os meios de comunicação, o prejuízo foi evidente.

E quem paga por isto? Apesar da mente doentia que, em algum lugar, iniciou esta autêntica corrente, poder achar que foi só “uma brincadeira”, quem mais sofre é Pelotas, pois o público que não compareceu -do município ou vindo de outras regiões - deixou também de fazer circular dinheiro no maior evento da Região Sul. Do qual não estamos em condições de abrir mão.

Diversas instituições, hoje, tratam do turismo, em Pelotas, considerada a “indústria sem chaminés”. Parece que estes treinamentos, cursos, alertas, precisam ser intensificados. Sem uma consciência de que estas “brincadeiras” não ajudam em nada e que um turista bem servido, bem orientado, sendo recebido com simpatia e educação tende a voltar. Portanto, trazendo mais recursos.

Não temos como reverter os problemas que enfrentamos, sozinhos.

É agora, exatamente, a hora de fazer as discussões a respeito do que foi a Fenadoce. Quando chegar perto do evento, que cessem todas as discussões, pois algo mais importante se levanta que é a visão de Pelotas como a nossa princesa maltrapilha necessitando recuperar-se. E seus filhos precisando readquirir seus postos de trabalho, sua auto-estima e seu lugar ao sol.