Dirigindo pela vida


Tocava uma canção de Natal enquanto nos encaminhávamos para o sepultamento. Era um paradoxo: ouvíamos uma música falando de vida e esperança que se renovam enquanto conduzíamos mais um conhecido para a sua última morada, depois de um dos tantos e absurdos acidentes de trânsito. Estabeleceu-se uma “rotina” em que não passa muito tempo sem que algum amigo, familiar ou conhecido tenha sofrido algum problema nas estradas em que, ao menos, houve perda de patrimônio, quando a perda não foi da própria vida.

Recentemente, viajando na BR 116, percebi que, embora já extrapolasse o limite de 80 km (90 a 100), outros carros passavam por nós como se fôssemos uma tartaruga! Não é necessário dizer que nossas estradas não são preparadas para tamanha pressa, que a proteção que se tem quando o carro desgoverna nesta velocidade é nenhuma e que nem Deus é capaz de sanar problemas decorrentes da insanidade e abuso de nossos motoristas.

Um amigo começou com a história de que “na União Européia é bem diferente”. E como: autopistas capazes de oferecer segurança para aqueles apressadinhos que adoram dirigir acima de 120 quilômetros por hora, com curvas projetadas para dar segurança e pistas feitas com materiais aderentes, literalmente, de primeiro mundo. Mas querer comparar com o que temos é covardia! O que vemos, diariamente, nos jornais, são estruturas metálicas retorcidas de tal forma que nem um artista seria capaz de imaginar! E no interior da qual, vidas foram extintas por imprudência ou por autoconfiança.

O melhor que ouvi, até hoje, de direção é que se deve cuidar de si e dos outros: é a chamada direção defensiva, onde se faz o possível, pessoalmente, mas não se descuida em saber se o outro também tomou as mesmas providências.

Recentemente, escrevi que o volume de carros particulares nas cidades já passou de um grau aceitável. Pois me parece que o mesmo está acontecendo com as estradas estaduais e federais que, em certos dias e horários, mostram claramente o seu esgotamento técnico. Infelizmente, não vemos as autoridades procurarem alternativas concretas para este problema.

Óbvio que a prioridade deve ser por conscientização, pois um motorista que não é capaz de perder um minuto e, praticamente, atropela quem está à sua frente (muitos casos de caminhões e ônibus, que são grandes e pensam que são dois!) perdeu a noção de que deixando de se colocar em situação de risco, vai dirigir pela vida.