Em defesa própria


A Isa tem razão: os comentaristas de rádio, televisão e jornal são realmente uns metidos! Têm opinião para tudo, manifestam-se sobre uma gama variada de assuntos, mesmo naqueles que não tem absoluto domínio.

Mas, creio, é exatamente isto que o leitor, o ouvinte, o telespectador quer. Não espera um especialista no assunto que, por usar uma terminologia técnica e rebuscada, muitas vezes vai deixar a pessoa sem entender absolutamente nada.

O comentarista tenta simplificar e fazer mais compreensível o que se passa no dia a dia, em áreas complicadas como a política, a economia, o jurídico e mesmo o religioso. Um dos maiores elogios que se pode ouvir é: “eu queria dizer exatamente aquilo que dissestes!”.

Claro, não julgo que o comentarista seja dono da verdade, com o qual todos devem concordar. Ao contrário, ao comentar – vou dizer o óbvio - cada um expressa o que pensa e vai haver quem concorde, mas também quem discorde. Perfeito, não poderia ser diferente. O que importa, na verdade é que, ouvido o que o outro tem a dizer, respeite-se a sua opinião. Mesmo discordando.

Tenho medo é das pessoas que precisam levantar a voz para convencer, ou mesmo, em situações em que estão acuadas, transformam as palavras numa metralhadora giratória que atinge a qualquer um que estiver no raio do seu alcance.

Pior ainda, quando, não permitindo que o outro se expresse, ainda se usa do pejorativo ou do mau gosto para calar quem discorda.

Opiniões são opiniões. Podem ser partilhadas ou não. Mas, o mais importante é que as pessoas sejam respeitadas e preservadas. Nada pode ser produtivo se, mesmo com uma forte e convincente argumentação, alguém sair pisado porque foi menosprezado ou alvo de alguma língua ferina.

Somos, sim, metidos. Mas não vejo este como um mal maior. E, se o for, não deve ser dos mais graves. Entendo que o pecado maior é o da omissão.

Quando pudermos puxar um banquinho e sentar na frente de Deus para o acerto final de contas, acredito que Ele vai elencar uma série de coisas que deixamos de fazer, deliberadamente, e nos puxar as orelhas.

Gostaria, então, de saber que errei em algumas avaliações, mas que não me omiti. Talvez seja necessário pedir perdão por algum deslize que tenha dificultado a vida de alguém. Em algumas ocasiões, falamos muito rápido sendo possível que a palavra saia antes mesmo de se pensar. Sentimos, mas não nos arrependemos.