Entre a tutela e a democracia


Uma pesquisa recente apontou números preocupantes que, sob a ótica de alguns analistas, mostra que o brasileiro é ou tende a ser corrupto. Se não for o caso, ao menos é conivente.

Vamos devagar que a coisa não é bem assim. Um professor de ética, olhando os mesmos dados, flagrou que, se os números forem vistos de uma forma alternativa, ou se as perguntas fossem feitas com o mesmo conteúdo, mas por outro ângulo, poderia se ter uma visão diferente: o brasileiro é ético, embora, como em qualquer lugar, exista uma minoria que não o seja.

Generalizar uma análise como esta é bombardear a auto-estima de uma população que já se encontra fragilizada. Embora todos os desmandos nas áreas da política, da econômica e do social, é preciso ter esperança de que este gigante não vai ficar “deitado eternamente em berço esplêndido”.

A ameaça feita por um dos deputados que se afastou da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados é emblemática: as nuvens que estão no horizonte chegam nas eleições de outubro!

Resgato um texto publicado no Diário Popular pelo Minduin, endossando uma campanha de não-reeleição de todos os que se encontram no Congresso. Ela já tem adeptos em todo o país e com a qual concordo plenamente.

Pesquisas são pesquisas. Embora mereçam respeito porque avaliam posições em um determinado momento, também devem ser relativizadas, pois sujeitas a múltiplas angulações.

Mas, o que mais me importa, neste momento, é que não sejam feitas análises que afundem ainda mais a auto-estima da nossa gente. Uma forma é o incentivo ao voto, às vantagens de um sistema que, periodicamente, pode ser reciclado através da renovação dos nossos representantes públicos.

A quem pode interessar que a população perca a confiança no sistema democrático? Será que outros interesses estarão ditando a regra do “quanto pior, melhor”?

Sim, porque, infelizmente, já tem gente que diz que preferia a ditadura militar porque, ao menos, se tinha segurança e a economia funcionava!

Quando somos tutelados, nos tiram mais do que a liberdade: perdemos o sentido da convivência e dos valores da democracia. Não é esta a solução. Precisamos de ética na política e em todas as demais relações. E de uma limpeza nos poderes públicos. Que poderemos fazer nas eleições de outubro.