Entre o andar e o teclar


P Manhã de sábado. Tempo de olhar as mensagens, na Internet. Atualizar a minha página eletrônica (sete anos de serviço aos alunos e meus atentados literários: http://manoeljesus.ucpel.tche.br); baixar os trabalhos dos alunos   feitos durante a semana e colocar o nome em serviços de procura e ver o que há de novo.

Numa destas buscas apareceu assim: uma aluna escreveu - “estou fazendo o trabalho do professor Manoel Jesus, já fizestes?” E o aluno responde – “quem é este sujeito?” É óbvio que, durante a próxima semana, orelhas vão ser puxadas!

Ao mesmo tempo, em que me encanto - e me divirto - com esta agilidade e multiplicidade de oportunidades, não posso ser inocente ao ponto de pensar que estas tecnologias já estão socializadas, do tipo “todo mundo usa”. Os números são pobres: 15 a 17% da população acessam computador; 12 a 14% acessam a rede mundial de computadores.

Mas é promissor para quem, como eu e os de minha geração que, na casa dos 50, sabem da revolução que os novos instrumentos representam. Existem novos paradigmas para o conhecimento, a informação, a diversão e, mesmo, as relações, tanto sociais, quanto as pessoais.

São tempos de se defender mais oportunidades para pessoas que não usam estes meios e, também, de nos darmos conta de que há pessoas carentes e precisando questionar este “comunitário-individualizante”.

Brincando, a Vera colocou numa listagem do Messenger (programa pelo qual se pode “conversar” – teclar – com quem se quer, como se fosse telefone, ou mesmo usar os recursos de voz ou de vídeo, tendo como meio o computador) o seu endereço pessoal: com rua, número, CEP e bairro.

Depois do encanto é preciso que venha a reflexão. Quando não viciamos em alguma coisa assim, temos que parar para pensar. Claro que este instrumental, como muitos outros, é bom ou mau conforme o uso que dele fazemos.

No entanto, há sentido em dizer que, em muitos casos, o que precisamos é de rua. Não há nada melhor do que uma boa caminhada; um bom bate papo, olho no olho; o calorzinho do sol da manhã ou da tardinha, nestes tempos de Outono.

Estas coisas alimentam o espírito. E levam à certeza de que a tecnologia é boa, quando colocada ao serviço do homem. Toda a vez que nos tornamos seus escravos, ela também perde o sentido.

Triste vai ser quando pensarmos que nosso mundo é um monitor e, de vez enquanto, quisermos espiar pela janela para ver o que se passa lá fora. Prefiro uma boa caminhada pelas vizinhanças da Vila Silveira.