Escolhe a vida


A Igreja Católica lançou na quarta-feira de Cinzas a Campanha da Fraternidade 2008 que, numa atividade ecumênica com outras igrejas cristãs, quer refletir o que julga importante no que se refere à preservação da vida e condenar o que chama de “cultura da morte”. Não resta dúvida de que este é um tema importante e até mesmo os próprios críticos religiosos querem ver como as instituições religiosas se saem ao debater temas como o aborto e a eutanásia.

Num artigo que li, havia muitas perguntas a respeito de “que vida” as igrejas falam. Primeiro, é preciso estabelecer algumas diferenças entre o pensamento das religiões e o que pretendem seus pretensos críticos. Pensando no caso da Católica, ela tem princípios bem estabelecidos – podendo se concordar ou não com eles, esta é outra história – em que é contra o aborto e a eutanásia, por exemplo. Pode ser até que alguns “católicos”, mesmo conhecendo o que pensa sua igreja, posicionem-se de forma diferente. Quando assim o fazem, não estão falando em nome da instituição, mas, em muitos casos, como “vozes que clamam no deserto”.

Historicamente, a Igreja Católica posicionou-se de forma conservadora na preservação de valores como a vida: apesar de toda a discussão inflamada a respeito, preferiu manter uma atitude que, embora possa ser criticada, é coerente com seu pensamento oficial.  Quem olhar com atenção os documentos e pronunciamentos das autoridades católicas perceberá, claramente, que não houve mudança de posição, especialmente a partir do Concílio Vaticano II.

Pena é que seja um tempo tão curto – até a semana da Páscoa – para tratar de um tema que aborda aspectos polêmicos, mas também quer levar a sociedade a pensar o quanto é fácil pedir pela eliminação de vidas (aborto, eutanásia, pena de morte...), pois torna a nossa existência “mais fácil” do que encontrar alternativas que passem pela educação, condições de vida social justa, punição de desmandos políticos e eliminação da guerra, por exemplo.

A concordância de que se “escolhe a vida” (para o meu gosto tem um “pois” demais no lema), pode e deve ter um pé numa consciência ecológica, no desenvolvimento sustentável e numa educação engajadora. Para isto, dois meses é pouco e precisamos de campanhas que levem o tempo necessário até haver mudanças concretas. Este tema não pode ser tratado apenas como “moda” passageira, pois está no cerne de tudo o que se possa refletir a respeito, por muitos e muitos anos.