Espaguete com cuca


Estive em Ijuí dando um curso de final de semana a respeito de comunicação e igreja. A pauta foi extensa: tratamos dos documentos que a instituição tem a respeito, como a pessoa se prepara para a comunicação, a comunicação que é feita em grupo, uma espiritualidade própria e a ação da Igreja Católica nesta área. Sem contar três reflexões feitas durante as celebrações da Eucaristia, na Igreja Matriz da Natividade.

Todos estes processos estudados levaram sempre ao mesmo caminho: uma postura crítica inicia pela preparação em família e deve retornar para a pessoa enquanto integrante desta comunidade básica, dos grupos em que vai participar (inclusive religiosos e educacionais) e uma postura adequada diante dos meios de comunicação social.

Uma constatação: pais bem resolvidos tomam consciência de que as boas influências iniciam na família, especialmente a cumplicidade com os filhos, marcadamente quando há a presença dos dois. Se o pai facilmente influencia nas opções esportivas do filho, também o faz com relação à formação religiosa, por exemplo, onde a ausência de homens adultos nos templos diminui a presença masculina, pois as meninas, muitas vezes, acompanham as mães, o que nem sempre se dá com os meninos.

No processo de formação de uma visão crítica sobre comunicação, falamos sempre sobre a necessidade de estabelecer valores e referências. É então que os pais trazem experiências negativas vividas pelos filhos, desde a compulsão por algum meio de comunicação – especialmente a televisão e a internet – até o enclausuramento num mundo que não admite a presença de adultos, mas apenas de um instrumento eletrônico que parece satisfazer todas as suas necessidades afetivas.

Aceitar esta suposta “babá eletrônica” é deixar que o filho esteja à beira do perigo. No amadurecimento afetivo, não há instrumento de comunicação que supere a necessidade das relações físicas, que amadurecem, trocam as referências, mas necessitam do olho no olho, do carinho e do diálogo para a realização plena.

Achei estranho que a união entre a colonização italiana e alemã de Ijuí misture espaguete com cuca. É uma cultura muito interessante, pois aproxima paladares, ao menos para mim, distintos. A alternância de sabores pode ser, além de criativo, muito saboroso, mostrando que na vida, em qualquer situação, é preciso haver equilíbrio e estar aberto para o novo e diferente. Especialmente com as novas gerações.