O Espírito de Natal


Poucos dias nos separam da segunda maior festa da Cristandade: o Natal. Antes de ser linchado, me explico: para os cristãos, o Natal é muito importante, mas, mais importante ainda é a Páscoa, porque nela acontece a morte e ressurreição de Jesus. Em síntese: nascer, todos nascem, inclusive Jesus; mas ressuscitar da forma como Ele ressuscitou, esta foi inédita!

Mas, andando pelas ruas, tenho sentido falta do ânimo que reinava em anos anteriores, nesta época, o chamado “Espírito de Natal”. As vias, as casas, as lojas estão menos enfeitadas e as pessoas andam muito e compram pouco.

Parti da satisfação para a confusão quando uma especialista disse que o problema era que “estamos esquecendo a pessoa mais importante do Natal”. Quando pensei: vai lembrar do Menino Deus que nasceu numa manjedoura, veio a decepção: “esqueceram do Papai Noel”.

Infelizmente, o Natal do comércio colocou bem no centro uma figura lendária que foi recuperada e adaptada pelo marketing de uma indústria de refrigerantes para aumentar o seu faturamento. E Jesus ficou em segundo plano, pois quando se pergunta para as crianças quem nasceu nesta época, a maior parte não tem a menor idéia.

Por outro lado, pensei: será que não é esta, exatamente, uma manifestação do “Espírito de Natal”? Pois é, pode ser. Pode ser que os bolsos mais vazios nos levem a andar mais devagar e compensar o que não podemos comprar com gestos que são tão ou mais importantes.

O “Espírito de Natal” tem algumas receitas que são infalíveis. Uma delas: chegue perto de alguém que lhe é muito especial e dê muito carinho – acaricie com as mãos, envolva com um olhar, afague com um sorriso. E tão, ou mais importante: repita muitas vezes que você a ama! Chame por seu nome, repita seu nome, faça-o saber que é único na sua existência. Não use apelidos, ou formas carinhosas de chamá-lo. Nomeie-o pelo seu amor.

Na Noite de Natal, esqueça dos fogos e das luzes. Feche os olhos e faça uma prece, a prece do seu coração. A prece ao Deus que te ama acima de todas as coisas e que está nascendo para dar esperança e paz, duas preciosidades que dinheiro, ouro ou prata não compram. Diga baixinho: “Meu Deus, estou aqui. Fica comigo!” Não há preço, não há valor que pague a paz de espírito e a esperança de que podemos e vamos viver novos e melhores tempos.