Ética nas profissões


Preferi deixar passar algum tempo desde que participei do debate promovido pelo Rotary Clube a respeito de Ética nas Profissões, para poder amadurecer este artigo. No evento que teve o apoio do Diário Popular, fui convidado para conversar sobre a formação do profissional de Comunicação e Ética na Mídia.

Um tema que já teve discussão bastante candente até alguns anos atrás, infelizmente, não tem merecido o devido espaço nas pautas, nos últimos tempos. Portanto, merece especial atenção que um segmento da comunidade faça esta provocação.

Lógico que a primeira discussão que se estabelece é entre definições a respeito de moral e de ética. Quase sempre se busca saber quando se formam os valores morais e quando a ética passa a servir como norte para a atuação, no nosso caso, de um profissional. Esta discussão, vou deixar para os espaços maiores, como as publicações especializadas, palestras, programas de rádio e bancos escolares. Vamos ao que interessa, aqui.

Em primeiro lugar, a cobrança sobre os meios de comunicação é sempre muito forte porque é uma das profissões que mais expõe a sua cara. Deixamos praticamente tudo registrado: o texto em jornal, a imagem na tv, o som no rádio, a campanha publicada, as propostas redigidas. Ainda bem. Em tese, este já seria um componente que pode levar a que a sociedade possa “cobrar” da mídia uma atuação condizente com o seu papel de formação e informação na construção de caminhos novos para o desenvolvimento.

Porque, em tese? Porque, embora ainda exista a possibilidade, o acompanhamento ainda é muito pequeno. E mais. Localizam-se profissões onde se pede a discussão dos aspectos éticos, mas não se flagra todo o processo social que deveria andar junto com a discussão das temáticas relativas à ética em qualquer ambiente.

Um dos exemplos é o de que se quer que os professores formem cidadãos com princípios bem definidos, mas não se inicia este caminho por onde seria adequado. E aí, bato na mesma tecla, mesmo que alguns digam que a família já esteja sobrecarregada demais de funções. Aquela criança que não tem um acompanhamento carinhoso, mas firme, de pais que ajudem a discernir o que é bom e o que é ruim, o que é certo e o que é errado, que “permitem” pequenos deslizes, porque é criança, ou fecham um olho para a Lei de Gerson (“é preciso levar vantagem em tudo”), está prejudicando um processo que já inicia distorcido. Aí, é a história do pepino: nasceu torto, tende a...

A discussão da temática relativa à ética perpassa família, sociedade, ensino e todas as demais instâncias que desejarem nomear. Não é um processo que exija terra arrasada para seu reinício, mas que, antes de qualquer outra coisa, seja feita uma “mea culpa” e não se jogue para outros a responsabilidade que é de cada um de nós, como parte da sociedade.

Achei interessante quando alguém disse que a melhor forma de se “censurar” algum programa de televisão que esteja sendo inadequado é retirar-lhe a audiência. É verdade. A força que a sociedade desconhece está, exatamente, em que o que faz a mídia o faz para que aumentem seus índices de recepção por parte da população.

Só que ainda não inventaram um “ibope” para medir o quanto somos éticos no trato de todas as questões. Também as da mídia.

Este é o motivo que nos leva a pensarmos que o Rotary, Sindicato, professores, pais e alunos têm em mãos um salutar instrumento para refletir sobre o assunto: o diálogo. Estamos apostando neste instrumento que somente nos pede que estejamos abertos e dispostos a falar, mas também ouvir, no sonho de que construir é tarefa de quem educa, permanentemente, em qualquer nível da sociedade.