Férias da solidariedade


Uma rede de comunicação divulgou campanha pedindo para as pessoas não esquecerem que as instituições que trabalham com a população carente - especialmente crianças e da área da saúde - não interrompem suas atividades, neste período, e precisam de recursos, talvez até mais do que no resto do ano. Infelizmente, as contribuições baixam tanto que muitas não têm alternativa a não ser fechar as portas ou restringir serviços. E o que percebemos é o aumenta de pedintes em vias públicas, especialmente nas sinaleiras.

Mas, por estes dias, o Miro foi doar sangue. Aqui em casa e na escola onde leciono, faço campanha sistemática buscando doadores - consigo alguns e ouço muitas desculpas diante de receios viciados em preconceitos ou má vontade. Mas com o meu sobrinho achei que poderia ir mais longe e, como ele é do tipo O negativo, (um dos mais raros) sugeri que também fizesse exame para ser catalogado como doador de medula. Quando chegamos em casa, uma grande felicidade: os dois braços com pequenos esparadrapos e todo mundo tendo que ouvir a sua “saga” pois era uma doação mais do que necessária (naquele dia o banco tinha apenas três bolsas com O negativo), mas também havia o reconhecimento pela boa vontade em doar parte da medula, se necessário, já que, embora todas as campanhas feitas, a disponibilidade não é tão numerosa assim.

Doar sangue é um ato de solidariedade, pois quem precisa está em situação de carência, na expectativa de um gesto de compreensão. Mas é bom lembrar que a gangorra pode se inverter e, um dia, o doador pode ser aquele que necessita de doação.

Nos dois casos, exemplos do quanto a solidariedade é necessária. Dela, não há como ter férias: as instituições continuam dependendo da sociedade para continuar prestando seus serviços e os bancos de sangue, neste período, têm tanto ou mais movimento, pelo período de festas de final de ano e o Carnaval, em seguida, em que as imprudências no trânsito se multiplicam e a necessidade de sangue mais ainda.

Não esqueça a entidade com a qual colabora ao longo do ano e, como recebeu o seu décimo terceiro, seja um pouco mais generoso. E mais, dedique um tempo especial para ir até um banco de sangue: se puder doar, doe; se não puder, convença e leve alguém para fazê-lo. Se não for pedir demais, coloque um selo da ADOTE (Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos) no seu documento de identidade e transforma-se num doador de órgãos. Porque não?