Ficha limpa


Foram muitas as organizações sociais que se mobilizaram para levantar assinaturas mais do que suficientes a fim de apresentar um projeto de lei que proíbe candidatos que tenham sido julgados e condenados em alguma instância da Justiça. Também foram muitos os debates em instâncias sociais, educacionais, partidárias, sindicais e religiosas, na busca por uma maior transparência das atitudes dos nossos homens públicos que ocupam funções eletivas. Infelizmente, o que se vê, hoje, é que a malandragem daqueles que defendem os próprios interesses no Congresso Nacional está fazendo com que atrase o seu trâmite, quando não há o interesse de fazer mudanças que desfiguram a proposta inicial.

Não há alternativa. Além de se manter todos os níveis de discussão que aconteceram até agora, é preciso partir para duas ações concretas: tomar conhecimento de quais os candidatos estão sendo julgados, não merecendo ser eleitos, e divulgar de outras formas, especialmente através da Internet; assim como fazer com que os próprios partidos criem empecilhos para aqueles que não apresentarem a ficha limpa. É exatamente este o nome do projeto: “Ficha limpa”, uma lembrança do processo que aconteceu na Espanha, onde a Justiça trabalhou com o “Mãos limpas”, perseguindo e afastando, em muitos casos prendendo, aqueles que de alguma forma se utilizaram do setor público em proveito próprio. Hoje não conheço os números, mas até bem pouco tempo atrás se sabia que no Brasil, de cada 10 reais, dois eram desviados. Os números não devem ter mudado muito, mas fazem a grande diferença quando se fala em investimentos públicos.

Claro que se sabe que a população se sente impotente e indiferente diante do que acontece na vida pública, mas este é o momento da clarividência: das pequenas igrejas às grandes catedrais; dos bancos escolares às praças públicas; do recinto dos lares até as esquinas democráticas, é hora de discutir e optar por políticos que possam fazer o nosso futuro diferente. É possível que alguns digam que isto não é o suficiente, mas, com certeza, é um bom passo: esta é uma boa luta. Quem se omitir, ou achar que isto é bobagem, é, ao menos, cúmplice dos desmandos que forem cometidos. Sou partidário de que o maior pecado não é o erro cometido por desconhecimento - pois é possível reconhecê-lo e voltar atrás - mas a omissão é imperdoável. E quem se omite não tem o direito de reclamar mais tarde.